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Operação no Vidigal impede 200 pessoas de descer do morro no Rio

Houve intenso tiroteio, o que impediu o grupo de descer a trilha que é limitrofe com a comunidade

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Turistas presos no Morro Dois Irmãos durante tiroteio no Vidigal
Turistas presos no Morro Dois Irmãos durante tiroteio no Vidigal | Foto: — Foto: Reprodução

Cerca de 200 pessoas ficaram sem poder descer do morro Dois Irmãos após a Polícia Civil realizar uma operação no morro do Vidigal para prender chefes do Comando Vermelho que atuariam na Bahia, na manhã dessa segunda (20). Houve intenso tiroteio, o que impediu o grupo de descer a trilha que é limitrofe com a comunidade, na zona sul do Rio de Janeiro.

O alto do Dois Irmãos é procurado por pessoas que sobem durante a madrugada para registrar o nascer do sol. O grupo deixou o local após às 7h20, com escolta policial.

"A gente sabe que está dentro de uma favela, por isso a organização na Favela Turismo impulsiona o guia local para subir a trilha. É muito importante ter o guia local conduzindo esses passeios como aconteceu hoje. O guia acalmou a galera e conseguiu controlar a situação", disse Renan Monteiro, fundador de uma empresa que impulsiona o turismo em favelas.

Ainda de acordo com Monteiro, a empresa intermediou o contato dos guias com a Secretaria de Turismo que, por sua vez, avisou a polícia sobre a presença de pessoas no alto da trilha.

"A gente sabe da importância do sigilo de uma operação, o importante é sempre o diálogo. A empresa estava hoje com monitores desde cedo que fizeram a intermediação entre os guias, o comércio e todos os setores que movem a favela", acrescentou.

Um grupo de amigos de São Paulo estava fazendo a trilha quando ouviu os tiros. "É nossa primeira vez turistando no Rio. E aí a gente veio um pouco atrasado, começamos era umas 5h e pouca, quase 6h. Depois de uns dez minutos que a gente começou a subir, pegou o ritmo, começamos já a escutar uns tiros. Aumentou, conforme a gente foi subindo. Eram vários, uns seguidos do outro, teve também o helicóptero voando muito perto. Teve momentos que ele voou, por cima da nossa cabeça", disse Débora Moraes, 28. Ela disse que preferiu terminar de subir a trilha do que voltar e ficar no meio da troca de tiros e, ao chegar no alto do morro, viu muitas pessoas passando mal no alto do morro e chorando.

Ainda durante a operação, criminosos interditaram a avenida Niemeyer, que liga os bairros Leblon (zona sul) a São Conrado (zona sudoeste) com um ônibus atravessado e contêineres. A via só foi liberada por volta das 6h50, quando policiais militares escoltaram motoristas.

Nas redes sociais, moradores do Vidigal relataram momentos de medo, com troca de tiros em diferentes pontos da comunidade desde as primeiras horas do dia, enquanto vídeos nas redes sociais mostravam um helicóptero sobrevoando a região em voos rasantes durante o confronto.

A operação contou com agentes da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais) e foi coordenada pela promotoria da Bahia, com o objetivo de cumprir mandados contra lideranças do tráfico na região de Caraíva.

O principal alvo era Edinaldo Pereira Souza, o Dada, apontado como chefe do tráfico local, que havia fugido de um presídio na Bahia em 2024 e estava escondido na Rocinha, sob proteção da facção; nos últimos dias, ele estaria no Vidigal, onde realizava uma festa com familiares e amigos, mas conseguiu escapar durante a operação. Sua esposa foi presa por suspeita de lavagem de dinheiro..

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