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Banco liquidado

Lula diz ter orientado Moraes a se declarar impedido no caso Master

Presidente defende explicações públicas, prevê uso político do tema e cobra rigor nas investigações

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Lula afirmou que caso pode afetar a imagem do Supremo Tribunal
Lula afirmou que caso pode afetar a imagem do Supremo Tribunal | Foto: Ricardo Stuckert / PR

O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ter orientado o ministro Alexandre de Moraes a se declarar impedido de atuar em processos ligados ao chamado Caso Master, por entender que a situação pode afetar a imagem do Supremo Tribunal Federal. A declaração foi feita em entrevista ao canal ICL Notícias, nessa quarta-feira (8), e ocorre em meio à repercussão política do caso.

Segundo Lula, a recomendação buscou preservar a credibilidade institucional. “Você pode ter algo legal, mas, aos olhos do povo, pode parecer imoral”, disse. Ele ressaltou ainda que o episódio tende a ganhar maior dimensão por ocorrer em ano eleitoral.

O caso envolve a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, que integra um escritório que manteve contrato com o Banco Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, período que inclui a liquidação da instituição. Para o presidente, é fundamental dar transparência ao tema. “É preciso uma explicação convincente para a sociedade. Essas coisas não podem ser colocadas debaixo do tapete”, afirmou.

Lula também indicou que o episódio deve ser explorado no cenário político. “A extrema direita vai usar isso na campanha”, declarou, ao comentar o potencial impacto eleitoral do caso.

Ao abordar a possível delação do empresário Daniel Vorcaro, o Presidente defendeu cautela e maior acompanhamento nos depoimentos. Ele levantou a hipótese de irregularidades. “Pode ser uma delação comprada. É preciso ter cuidado”, disse, acrescentando que as investigações ainda devem revelar novas informações. “Tem muita coisa para ser descoberta”, completou.

SUPREMO

O Presidente também voltou a defender mudanças nos critérios para escolha de ministros do STF, sugerindo regras mais rígidas e maior compromisso institucional. “Quem vai para a Suprema Corte precisa ter um compromisso quase religioso com a Constituição”, afirmou. Ele também questionou a possibilidade de enriquecimento durante o exercício do cargo.

FINANCIAMENTO ELEITORAL

Lula criticou o atual modelo de financiamento eleitoral no país e afirmou que o sistema contribuiu para distorções no funcionamento dos partidos políticos.

“Os partidos não podem continuar sendo assim. Não é possível tanto dinheiro de fundo partidário e fundo eleitoral. Sinceramente, acho que isso levou à promiscuidade política neste país. Parecia bom, mas não é. Eu fui defensor do fundo público, mas hoje acho que o fundo eleitoral levou os partidos a esse cenário — é como se os presidentes dos partidos tivessem virado presidentes de bancos”, disse Lula.

Lula também destacou o alto custo das campanhas eleitorais como um dos principais obstáculos para a entrada de novos nomes na política. “Você dificulta a eleição de gente nova, de quadros da sociedade, de movimentos sociais. Uma eleição está muito cara. Se for feita uma pesquisa, vão perceber que um deputado, para ser eleito em alguns estados, pode precisar de R$ 40 milhões. Sem dinheiro, não se elege”.

De acordo com o presidente, esse cenário concentra poder nas estruturas partidárias e no Congresso Nacional do Brasil, dificultando mudanças no sistema. “Isso está nas mãos dos partidos, do Congresso Nacional. E as emendas facilitam isso. As pessoas novas têm pouca chance de se eleger. A renovação tende a ser muito pequena”.

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