RIO GRANDE DO SUL
Médico é preso sob suspeita de importunação sexual
Defesa diz que profissional não reconhece acusações atribuídas a ele
Um cardiologista foi preso na segunda-feira (30) em Taquara (RS), cidade a 80 quilômetros de Porto Alegre, sob suspeita de ter feito dezenas de vítimas de importunação sexual durante consultas médicas.
De acordo com depoimentos, o médico Daniel Kollet se aproveitava das pacientes despidas com toques, abraços e beijos indesejados. A Polícia Civil já identificou 32 supostas vítimas do médico.
"A investigação apurou que durante as consultas, o médico aproveitava o momento em que as vítimas estavam despidas de suas vestes e aproximava-se delas. Abraçava, beijava e acariciava as vítimas/pacientes, sem o consentimento das mesmas. As vítimas ficavam em estado de choque e sem reação", afirmou o delegado Valeriano Garcia Neto, responsável pela investigação.
Segundo o delegado, as vítimas têm entre 30 e 42 anos e apresentaram relatos semelhantes. Uma delas afirmou que o médico é amigo de seu marido.
Em nota, a defesa do médico afirmou que "seu cliente não reconhece as imputações que lhe são atribuídas, aguardando o acesso integral aos autos e a todos os supostos fatos para o devido esclarecimento".
O escritório Campana Advogados, responsável pela defesa de Kollet, disse ainda não teve acesso integral aos depoimentos de todas as vítimas atribuídas ao cardiologista.
"Embora tenham sido divulgadas pela autoridade policial, em inúmeras entrevistas, informações acerca de um número expressivo de supostas vítimas, observa-se que, no processo que fundamentou a decretação da prisão de seu cliente, foram anexados aos autos, pela autoridade policial, apenas três casos, sendo um deles relativo a fato ocorrido no ano de 2024, o qual já se encontrava sob conhecimento da autoridade policial há mais de dois anos, sem que tenha sido realizada a oitiva do investigado para esclarecimentos", diz a nota do escritório.
O delegado afirma que há ao menos dois anos o cardiologista praticava os atos de importunação sexual. De acordo com o relato das vítimas, ele dizia que era médium e que transmitiria "energia boa" através dos abraços.
A prisão preventiva foi decretada a partir do relato de três vítimas. Após a divulgação do caso, outras 29 pacientes do cardiologista registraram terem sofrido abusos semelhantes.
A Polícia Civil está recebendo denúncias pelo telefone (51) 98443-3481, sendo permitido o anonimato.