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Quando uma pinta pode virar um câncer? Médico explica

É importante ficar de olho em alterações que surgem nas pintas existentes no corpo, como tamanho, formato, cor ou textura

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Imagem ilustrativa da imagem Quando uma pinta pode virar um câncer? Médico explica
| Foto: Freepik

Na maioria das vezes, uma pinta não se transforma em câncer. As pintas comuns são benignas, ou seja, não são cancerosas, e raramente se transformam em melanoma, o tipo mais grave de câncer de pele.

Na verdade, a maioria dos melanomas surge em uma área da pele que antes parecia normal, e não em uma pinta antiga. Mesmo assim, qualquer pinta que mude de tamanho, formato, cor ou textura deve ser examinada por um dermatologista.

Nem toda pinta é igual

As pintas, chamadas pelos médicos de nevos, surgem quando os melanócitos (as células responsáveis pela produção de melanina, o pigmento que dá cor a pele, cabelo e pelos) crescem agrupados. É comum que adultos tenham várias delas, podendo chegar a dezenas. Em geral, as pintas são pequenas, arredondadas ou ovais, têm bordas bem definidas e apresentam uma cor relativamente uniforme, que pode variar do rosa ao marrom.

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Também existem os chamados nevos displásicos, ou pintas atípicas. Eles costumam ser maiores do que as pintas comuns e podem apresentar várias cores, bordas irregulares e uma superfície diferente. Ter esse tipo de pinta não significa ter câncer, mas aumenta o risco de desenvolver melanoma, sobretudo quando a pessoa apresenta várias delas.

Alterações na pinta

Alterações em uma pinta ou algumas características podem indicar que ela não seja benigna. Uma mudança recente pode aparecer como crescimento desigual, alteração da cor, mudança no formato ou na textura, coceira, endurecimento, formação de crostas, sangramento ou saída de secreção.

Uma forma conhecida de observar essas alterações é a partir da regra ABCDE:

- A de assimetria, quando uma metade da lesão não se parece com a outra;

- B de bordas, quando as margens são irregulares, recortadas ou pouco definidas;

- C de cor, quando há diferentes tons na mesma lesão, como marrom, preto, vermelho, branco, cinza ou azul;

- D de diâmetro, quando a lesão aumenta. O tamanho de 6 milímetros ou mais pode chamar atenção, mas um melanoma também pode ser menor;

- E de evolução, quando a pinta muda ao longo de semanas ou meses.

Maior risco de melanoma

Qualquer pessoa pode desenvolver melanoma, mas alguns fatores aumentam essa possibilidade. Entre eles estão ter muitas pintas, nevos displásicos, histórico pessoal ou familiar de melanoma e pele que queima facilmente.

A exposição à radiação ultravioleta (UV) também é um dos principais fatores de risco. Histórico de queimaduras solares intensas na infância, especialmente as que provocam bolhas, aumentam o risco, assim como a exposição acumulada ao sol ao longo da vida. Câmaras e aparelhos de bronzeamento artificial também emitem radiação UV e podem causar danos à pele.

Acompanhamento médico

A retirada preventiva de todas as pintas não é uma prática recomendada. Como a transformação de uma pinta comum em melanoma é rara, os médicos geralmente só removem aquelas que apresentam mudanças ou características suspeitas.

Durante o exame dermatológico, o dermatologista utiliza o dermatoscópico, um aparelho que permite observar detalhes que não são facilmente vistos a olho nu. Se a suspeita persistir, é feita uma biópsia, procedimento em que toda ou parte da lesão é retirada e analisada no microscópio. É essa avaliação que confirma ou descarta o diagnóstico de melanoma.

Como o melanoma pode invadir tecidos próximos e, em fases mais avançadas, atingir órgãos distantes, detectar a doença cedo aumenta as chances de um tratamento bem-sucedido. Por isso é tão importante fazer um acompanhamento médico anual e, por conta própria, tomar nota de mudanças na pele.

Vale examinar o corpo inteiro periodicamente , inclusive áreas difíceis de enxergar, como as costas, o couro cabeludo, a sola dos pés e a região sob as unhas. O objetivo não é diagnosticar câncer em casa, mas perceber eventuais mudanças e buscar uma avaliação médica, se necessário.

Proteção contra o câncer de pele

A prevenção contra o melanoma passa principalmente pela redução da exposição à radiação UV. Isso inclui evitar queimaduras, proteger a pele com roupas, chapéu e sombra, e usar diariamente um protetor solar de amplo espectro, com FPS 30 ou superior, nas áreas expostas.

O cuidado deve existir mesmo em dias nublados e não se limita ao verão. E é importante lembrar que o bronzeamento artificial é proibido no Brasil.

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