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PRIMEIRA-DAMA

Uma trajetória além do posto

Durante entrevista, Renata Calheiros fala sobre o papel que exerceu quando esteve como primeira-dama e as áreas com as quais mais se identifica

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Renata tem um apreço especial pela cultura alagoana
Renata tem um apreço especial pela cultura alagoana | Foto: Fotos: Felipe Brasil

A figura da primeira-dama ocupa um espaço peculiar na vida pública. Embora não seja um cargo eletivo nem tenha atribuições formalmente definidas, a posição costuma colocar a esposa do chefe do Executivo sob os holofotes e, em muitos casos, à frente de causas sociais, projetos e iniciativas que passam a integrar a agenda do governo. O desafio está em encontrar um equilíbrio entre a dimensão institucional do posto e os limites da gestão pública.

Esta semana, a Gazeta de Alagoas traz um pouco da trajetória de Renata Pires Calheiros, de 46 anos, ex-primeira-dama que pode voltar a assumir essa posição caso o marido, Renan Filho, seja eleito governador nas eleições que se aproximam. Em entrevista, ela falou sobre a experiência que adquiriu ao longo dos anos, as áreas às quais gosta de se dedicar e como gostaria que as pessoas a enxergassem.

Quando foi primeira-dama, desenvolveu um importante trabalho junto aos artesãos
Quando foi primeira-dama, desenvolveu um importante trabalho junto aos artesãos | Foto: Felipe Brasil

A atuação de Renata Calheiros, nos momentos em que já esteve como primeira-dama, sempre foi ligada à ideia de contribuição. Ex-primeira-dama de Murici, entre 2005 e 2010, e de Alagoas, entre 2015 e 2022, ela poderá voltar a ocupar o posto trazendo a experiência já adquirida e carregando não apenas o conhecimento acumulado nas passagens anteriores, mas também uma trajetória própria construída em torno de temas que notoriamente se tornaram propósitos de vida para ela: a primeira infância, a cultura e a economia criativa.

“Quando tive a oportunidade de ser primeira-dama, eu não enxerguei aquilo apenas como uma posição. Enxerguei como uma missão e como uma oportunidade de colocar minha experiência, meu olhar e aquilo em que acredito a serviço de Alagoas”, afirma.

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Nascida em Brasília, Renata é formada em Administração pela UnB e mãe de dois filhos, Davi e João. Antes de ingressar na vida pública, trabalhou na Caixa Econômica Federal, onde atuou na Superintendência Nacional de Informações e Pesquisa e, posteriormente, nas áreas de Marketing e Relações Institucionais. Também cursou Artes Plásticas por cerca de um ano e meio na UnB, motivada pelo interesse que sempre teve pela arte, pela cultura e pelos fazeres tradicionais. Atualmente, ocupa a função de conselheira do Tribunal de Contas do Estado de Alagoas (TCE/AL), onde idealizou e coordena o “Espia” - Observatório da Primeira Infância.

Idealizado por ela, o projeto CRIA virou referência e recebeu diversos reconhecimentos
Idealizado por ela, o projeto CRIA virou referência e recebeu diversos reconhecimentos | Foto: Felipe Brasil

A relação dela com Alagoas começou ainda criança, durante as férias que passava com os pais na Praia do Francês. A mudança definitiva para o Estado veio depois do casamento com Renan Filho, com quem estudou em Brasília. A trajetória dela ganhou outro significado em 2005, quando, ainda com pouco mais de 20 anos, passou a viver em Murici, após a eleição do marido para a Prefeitura.

Foi ali que Renata pôde conhecer uma realidade muito diferente da que estava acostumada e começou a compreender, de maneira mais próxima, como as políticas públicas chegam à população e quais as necessidades mais urgentes das pessoas. Na cidade do interior, ela encontrou antigas formas de produção artesanal, como o trabalho com a palha da bananeira e as olarias, e passou a enxergar possibilidades de valorização e aprimoramento daqueles saberes. Ao mesmo tempo, começou a se envolver voluntariamente com projetos nas áreas de saúde, educação, cultura e artesanato.

Primeira infância é uma das áreas de atuação com a qual Renata mais se identifica
Primeira infância é uma das áreas de atuação com a qual Renata mais se identifica | Foto: Felipe Brasil

A experiência também ajudou a formar a maneira como Renata passou a enxergar a atuação pública. Para ela, a elaboração de uma iniciativa precisa estar acompanhada da capacidade de produzir efeitos concretos na vida da população. “Para mim, uma política pública não pode ser apenas uma boa ideia. Ela precisa ser exitosa. Precisa chegar à vida das pessoas, produzir resultados concretos e, de fato, transformar realidades”, destaca.

Anos depois, como primeira-dama de Alagoas, idealizou e coordenou várias iniciativas, como o Alagoas Feita à Mão e o Programa CRIA – Criança Alagoana, que se tornou referência nacional, recebeu diversos reconhecimentos e produziu resultados concretos nos indicadores sociais. Ambos os projetos ultrapassaram o período de governo e se consolidaram como ações incorporadas à sociedade, estando ativos até hoje e em pleno funcionamento.

Casada com Renan Filho, ela já foi primeira-dama de Murici e de Alagoas
Casada com Renan Filho, ela já foi primeira-dama de Murici e de Alagoas | Foto: Felipe Brasil

A primeira infância, inclusive, ocupa um lugar central na atuação dela, por entender que cuidar dessa etapa da vida significa atuar preventivamente sobre uma série de questões sociais que aparecem mais tarde. A cultura surge como outra frente de identificação. O Alagoas Feita à Mão nasceu com o propósito de valorizar o artesanato e os saberes tradicionais do estado, mas, ao longo do tempo, passou a incorporar uma visão mais ampla sobre economia criativa, envolvendo áreas como moda, gastronomia, design, turismo, patrimônio e inovação.

Renata conta que, com a experiência que foi adquirindo ao longo dos anos, aprendeu de que forma poderia contribuir, de maneira verdadeira, para melhorar a vida da população. “Ao longo desses mais de 20 anos, fui conhecendo diferentes realidades e ampliando meu olhar: comecei pelo interior, em uma cidade pequena, depois acompanhei uma experiência de governo estadual e, mais tarde, a atuação na esfera federal. Encontrei na primeira infância e na valorização da nossa cultura, dos nossos saberes e das nossas tradições duas pautas que realmente me mobilizam. É onde eu mais aprendo também, especialmente no contato com as pessoas, na escuta sensível dos territórios e na possibilidade de transformar aquilo que vejo e escuto em ações concretas”, destaca.

Renata é mãe de dois filhos: Davi e João
Renata é mãe de dois filhos: Davi e João | Foto: Felipe Brasil

Além das áreas que já fazem parte de sua trajetória, Renata aponta outros temas que considera importantes para o futuro de Alagoas. “Questões como o enfrentamento da violência contra a mulher, o desenvolvimento mais sustentável, que considere a preservação do meio ambiente, a vocação turística e a qualidade de vida das próximas gerações precisam ser discutidas com as instituições públicas e privadas, e a sociedade. São pautas diferentes, mas que têm algo em comum, que é a preocupação com as pessoas e com o futuro de Alagoas”, destaca.

Com a experiência acumulada em diferentes momentos de sua trajetória, Renata afirma que passou a compreender melhor os caminhos pelos quais pode contribuir com projetos e iniciativas voltados à população. Caso volte a ocupar a posição de primeira-dama de Alagoas, a perspectiva é levar essa experiência para uma nova etapa, incentivando também a continuidade de trabalhos e ações que já existem.

Nas redes sociais, ela continua a exaltar as belezas naturais do estado, os artesãos e seus trabalhos manuais, além de mostrar sua atuação à frente do Observatório da Primeira Infância de Alagoas, como conselheira do TCE/AL.

Como conselheira do TCE, Renata criou o Observatório da Primeira Infância
Como conselheira do TCE, Renata criou o Observatório da Primeira Infância | Foto: Felipe Brasil

E quando questionada sobre como gostaria que as pessoas a vissem, Renata responde:

“Se eu pudesse dizer como gostaria que as pessoas me enxergassem, seria como uma mulher determinada, uma mãe dedicada e curiosa, que sempre buscou se realizar e que acredita profundamente na importância da educação e da cultura, assim como na capacidade que as pessoas têm de transformar suas próprias histórias”, conclui.

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