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SAÚDE

Proteína em alta: benefícios, excessos e cuidados

Especialistas explicam por que o nutriente é essencial, mas alertam que quantidade e suplementação devem ser individualizadas

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Imagem ilustrativa da imagem Proteína em alta: benefícios, excessos e cuidados
| Foto: Magnific

Já tem um tempo que a proteína saiu dos círculos esportivos e ganhou as prateleiras dos supermercados, impulsionada pelo desejo de envelhecer com saúde e, mais recentemente, pelo uso disseminado das chamadas canetas emagrecedoras. A facilidade de encontrar produtos que prometem doses diárias de proteína tem feito com que muitas pessoas mudem seus hábitos e, consequentemente, o estilo de vida. Quem nunca comprou uma barra de proteína para levar consigo na bolsa que atire a primeira pedra.

Esse fenômeno, que transformou suplementos, iogurtes e barras proteicas em itens quase obrigatórios para muitos consumidores, também exige cuidados, pois é importante saber que, apesar de a proteína ser essencial para a manutenção dos músculos, da imunidade e da recuperação do organismo, o consumo dela deve ser individualizado e acompanhado por profissionais.

Segundo a nutricionista Eduarda Barros, a popularização dos medicamentos para perda de peso evidenciou a importância da preservação da massa muscular, fator associado não apenas à estética, mas também à longevidade, à cognição e à autonomia ao longo da vida. Apesar de todos os benefícios trazidos pelo consumo de proteína, a quantidade certa a ser ingerida diariamente varia de pessoa para pessoa e o cálculo é feito levando em consideração inúmeros fatores.

Eduarda Barros fala que a quantidade de proteína a ser ingerida depende da rotina de cada pessoa
Eduarda Barros fala que a quantidade de proteína a ser ingerida depende da rotina de cada pessoa | Foto: Divulgação

“A quantidade ideal varia conforme sexo, composição corporal, idade, rotina e nível de atividade física. Atletas praticantes de musculação e esportistas de endurance, por exemplo, têm necessidades distintas, afirma.

E ao contrário do que muitos possam pensar, consumir mais proteínas, por si só, não significa ter mais músculos. Ganho e preservação de massa muscular dependem também de alimentação equilibrada, de exercícios físicos regulares e de acompanhamento especializado. Como explica a nutróloga Bruna Omena, muitos fatores precisam ser levados em consideração para quem quer focar no ganho muscular.

“Ingerir mais proteína, por si só, não é sinônimo de mais massa muscular. Tudo é resultado de um trabalho interligado. O treino é essencial para o fortalecimento e para o crescimento muscular”, pontua.

.Além disso, o excesso não traz benefícios adicionais. “Quando a gente superestima e ingere mais do que a quantidade necessária, essa proteína não vai ser transformada em massa muscular, mas em gordura”, explica Eduarda, destacando que cada grama de proteína contém 4kcal.

Para a médica, existe hoje um interesse maior em envelhecer com saúde, mantendo a massa muscular, a energia e a autonomia ao longo da vida. “Nesse contexto, a proteína ganhou um destaque porque ela desempenha um papel muito importante na manutenção e no ganho da massa muscular”, completa Bruna.

Nutróloga Bruna Omena observa um maior interesse em envelhecer com saúde
Nutróloga Bruna Omena observa um maior interesse em envelhecer com saúde | Foto: Divulgação

Eduarda destaca que, apesar da grande oferta de produtos considerados proteicos nas prateleiras dos estabelecimentos, os itens in natura são os mais indicados para consumo, em qualquer ocasião. Suplementos como Whey Protein, creatina e outros são importantes para quem não consegue, diante da correria do dia a dia, levar uma rotina baseada em produtos naturais.

“Sempre o produto in natura vai ser a melhor opção. A gente coloca na dieta os industrializados quando o paciente não tem uma logística boa na rotina. É aí que entra a proteína em pó, o Whey Protein”, diz Eduarda.

Bruna fala da importância dos músculos para a qualidade de vida dos idosos e o combate à sarcopenia, que é a perda progressiva e acelerada de massa, força e função muscular que afeta drasticamente a mobilidade e o equilíbrio. Por isso a necessidade de suplementação quando o paciente não consegue atingir a meta diária com a ingestão de ovos, carnes e frango, por exemplo.

“Quando o paciente não bate a meta proteica por alguma questão, como dificuldade de logística, por exemplo, a gente acaba inserindo o Whey como uma forma de dar mais praticidade para ele. Vale salientar que o paciente sempre deve priorizar a refeição e que essa escolha deve ser feita tanto para bater meta proteica quanto para evitar essa perda de massa muscular, em especial nesses pacientes que fazem o uso de canetas emagrecedoras e em idosos sarcopênicos. É importante destacar que o músculo é muito importante para o combate a essa sarcopenia para os pacientes idosos que têm mais riscos de serem diagnosticados com osteopenia e osteoporose, por exemplo”, destaca a nutróloga.

Imagem ilustrativa da imagem Proteína em alta: benefícios, excessos e cuidados
| Foto: Magnific

Recentemente, além do Whey Protein e da creatina, outra suplementação também tem conquistado o público: a HMB, que chega para ajudar no ganho de massa muscular. “Já há muitos artigos, muitas evidências científicas falando sobre o uso do HMB e dos benefícios dele para os pacientes idosos”, afirma Bruna Omena.

Seja qual for o produto proteico a ser consumido, é importante que todas as pessoas estejam atentas às informações contidas nos rótulos e aos ingredientes que o compõem. Para os intolerantes a lactose e diabéticos, esse cuidado deve ser redobrado. Para qualquer caso, a recomendação é procurar um especialista.

“Como nutricionista, eu sempre vou defender que o paciente procure um médico, procure um nutricionista, para que seja feita uma dieta balanceada e adequada ao que ele pode consumir no dia a dia. Tudo o que é consumido de forma excessiva faz mal, então, o excesso de proteína também faz mal. Aprendam a ler e a olhar rótulos. Leiam a lista de ingredientes. Às vezes, o nome não é açúcar, ele tá colocado de outra forma. Então, leiam o rótulo, olhem a tabela e procurem ajuda”, afirma Eduarda Barros.

Imagem ilustrativa da imagem Proteína em alta: benefícios, excessos e cuidados
| Foto: Magnific

Bruna também destaca a importância buscar um suporte especializado e destaca que, para diversos produtos, existem contraindicações. Além disso, há também a maneira certa de consumir cada item, para não ter um resultado inesperado e acabar anulando o resultado positivo que se espera dele.

“A creatina, por exemplo, não pode ser consumida de qualquer forma. Chegam muitos casos no consultório de pacientes que a misturam com café, mas a cafeína provoca uma dessaturação e a creatina perde os seus benefícios. Então, é preciso ter cuidado até na forma como a proteína está sendo consumida. Inclusive, existem até contraindicações para a creatina. Por isso a importância de procurar ajuda médica para orientações e para uma suplementação adequada”, conclui Bruna.

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