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COMPORTAMENTO

Inteligência emocional em alta

Mais do que conhecimento técnico, saber administrar as próprias emoções fortalece relacionamentos, favorece decisões mais equilibradas e se torna um diferencial no ambiente de trabalho

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Inteligência emocional ajuda a ludar com os problemas no ambiente de trabalho
Inteligência emocional ajuda a ludar com os problemas no ambiente de trabalho | Foto: Magnific

A capacidade de lidar com as próprias emoções tem se tornado um diferencial cada vez mais valorizado no ambiente profissional. Mais do que um currículo repleto de qualificações técnicas, empresas têm observado como os candidatos reagem a situações de conflito, mudanças e desafios do cotidiano. Nesse cenário, a inteligência emocional aparece como uma habilidade essencial para a construção de relações saudáveis, tomadas de decisão mais equilibradas e desenvolvimento pessoal e profissional, sendo, muitas vezes, considerada essencial no momento da contratação.

De acordo com a psicóloga Aparecida Oliveira, a inteligência emocional está diretamente ligada ao autoconhecimento, por isso a importância de se compreender e de organizar os sentimentos. “O uso da inteligência emocional no dia a dia contribui, principalmente, para as tomadas de decisões mais equilibradas e assertivas e ajuda a tomar decisões com mais pertencimento e serenidade”, pontua.

Segundo ela, pessoas emocionalmente mais inteligentes conseguem estabelecer uma comunicação mais eficiente e administrar melhor situações de conflito, tanto internas quanto externas, o que é um ponto muito positivo quando se trata de ambiente de trabalho.

"Pessoas emocionalmente mais inteligentes constroem pontes de acesso para uma melhor comunicação e gerenciamento de conflitos internos e externos, conseguem lidar com situações de mudanças, de imprevistos no trabalho e até mesmo lidar com o chefe ou um colega mais temperamental", fala.

Além dos benefícios nas relações profissionais, investir no desenvolvimento da inteligência emocional também significa fortalecer a relação consigo mesmo. Para a psicóloga, esse processo exige reflexão constante sobre comportamentos, atitudes e escolhas.

"Investir no desenvolvimento da inteligência emocional é melhorar relacionamentos interpessoais e também o relacionamento intrapessoal, que é o relacionamento consigo mesmo. É importante se autoavaliar, autoanalisar e refletir um pouco mais sobre os próprios comportamentos e atitudes. Com isso, a pessoa ganha maior proatividade e qualidade de vida pessoal e profissional", afirma.

Psicóloga Aparecida Ooliveira destaca importância de se autoconhecer
Psicóloga Aparecida Ooliveira destaca importância de se autoconhecer | Foto: Arquivo pessoal

A valorização dessa competência também já faz parte dos processos seletivos de muitas empresas. Conforme explica Aparecida Oliveira, organizações têm adotado avaliações específicas para identificar como os candidatos lidam com desafios emocionais e conflitos.

"As grandes empresas hoje contratam pessoas não por aquele currículo espetacular ou apenas pelo conhecimento técnico, mas muito mais pela sua inteligência emocional. Algumas empresas já aplicam testes para saber como aquela pessoa pode lidar com certas situações de conflito e como ela resolveria o problema", afirma.

Ela ressalta que muitas pessoas acabam sendo reprovadas em seleções de emprego justamente por apresentarem dificuldades em administrar conflitos. "Primeiramente, nós temos que aprender a gerenciar nossos conflitos internos para depois gerenciar os conflitos externos”, diz.

A falta desse equilíbrio emocional pode trazer consequências importantes para a vida profissional. Segundo a psicóloga, há casos em que pessoas ocupando cargos de responsabilidade acabam desistindo da função por não conseguirem administrar as próprias emoções. Ela cita ainda uma reflexão do escritor Augusto Cury para ilustrar essa realidade.

"Algumas pessoas que assumem cargos, até mesmo com funções importantes, acabam desistindo no meio, se autodemitindo, por não conseguirem se autogerenciar. Como diz Augusto Cury, a empresa mais difícil de ser administrada somos nós mesmos", afirma.

Embora a inteligência emocional seja uma capacidade presente em todas as pessoas, seu desenvolvimento depende de prática e autoconhecimento. No consultório, Aparecida afirma ouvir com frequência relatos de arrependimento por atitudes tomadas de forma impulsiva. "Todos nós temos inteligência emocional, mas nem todo mundo sabe utilizá-la. É uma ferramenta que todo mundo tem dentro de si. Muitas pessoas chegam e dizem: 'Eu não devia ter agido dessa forma. Se eu tivesse feito de outra forma, o resultado poderia ser diferente'", pontua a psicóloga.

Não saber controlar as próprias emoções no ambiente de trabalho pode trazer sérios prejuízos
Não saber controlar as próprias emoções no ambiente de trabalho pode trazer sérios prejuízos | Foto: Magnific

Por isso, ela orienta que decisões importantes não sejam tomadas no calor das emoções. É preciso parar e pensar antes de agir. "Eu gosto muito de usar a placa do trem: pare, olhe e escute. Depois você segue".

Segundo a psicóloga, todas as emoções têm seu papel e devem ser vividas, mas precisam ser expressadas com equilíbrio. "As emoções existem para serem sentidas e não reprimidas, mas tudo deve ser colocado de uma forma clara e objetiva, com respeito e empatia pelo outro", completa.

Ela explica que sentir medo, tristeza, alegria ou raiva faz parte da experiência humana, porém é necessário saber administrar essas emoções para que elas não prejudiquem as relações pessoais e profissionais. E sempre que surgir um conflito, a recomendação é agir com calma e buscar o diálogo.

"As emoções e sentimentos existem para serem vividos. Quem nunca sentiu raiva ou tristeza? Mas a gente precisa saber separar o que vai levar do trabalho para casa e o que vai levar de casa para o trabalho. Não podemos descontar nossos problemas nos colegas de trabalho e nem levar os problemas do trabalho para dentro de casa. Ninguém deve reprimir as emoções. Mas tudo deve ser feito no momento certo, na hora certa. Respira fundo, toma uma água, pensa direitinho e depois volta. Um bom diálogo sempre vai ajudar muito mais do que uma agressão verbal ou física".

Ela também destaca que inteligência emocional não significa aceitar situações abusivas e alerta ainda que não saber administrar as próprias emoções pode gerar um desgaste intenso. "Tudo tem um limite. Ninguém vai passar por abusos ou violência psicológica dentro do trabalho. Mas tudo se resolve com calmaria", pontua.

Esse desgaste pode levar até mesmo ao abandono da carreira ou do emprego. Na avaliação de Aparecida Oliveira, o mercado tem valorizado cada vez mais profissionais que conseguem trabalhar em equipe, ouvir opiniões diferentes e buscar soluções de maneira construtiva. "Não adianta você ter um currículo espetacular se não souber administrar as próprias emoções. Possuir inteligência emocional é saber trabalhar em equipe, ouvir diferentes opiniões e resolver problemas de forma construtiva", fala.

Ela afirma que desenvolver essa habilidade exige prática diária de autoconhecimento e reflexão. "É preciso refletir constantemente sobre os próprios atos e atitudes. Parar e pensar: que atitudes eu tenho hoje que não estão me fazendo bem? O que eu preciso mudar?".

Caso a pessoa perceba dificuldades frequentes para lidar com conflitos ou note prejuízos nos relacionamentos dentro do ambiente de trabalho, buscar ajuda profissional pode ser o caminho mais indicado. Afinal, segundo a especialista, quando os conflitos internos não são enfrentados, tendem a se tornar mais difíceis de administrar.

"Quando você perceber que algo não está bem dentro de você, que não está sabendo amenizar os conflitos do dia a dia, que sua relação com os colegas está sempre conflituosa, está na hora de buscar ajuda de um profissional para trabalhar essas emoções”, conclui.

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