ALIMENTAÇÃO
Dieta “Baby GAPS” viraliza, apesar de risco nutricional para bebês
Protocolo, sem evidência científica, elimina alimentos da introdução alimentar para “facilitar digestão”
A dieta GAPS, um protocolo alimentar que restringe grãos, laticínios, açúcares e amidos, tem ganhado adeptos no Brasil e no mundo — inclusive entre pais de bebês em fase de introdução alimentar. Embora prometa melhorar a saúde ao evitar “toxinas”, não há evidências científicas robustas que sustentem seus benefícios.
Nas redes sociais e em fóruns online, pais vêm compartilhando experiências com a chamada Baby GAPS, uma adaptação do método para bebês. O protocolo foi originalmente pensado para adultos e tem como base um alto consumo de proteínas animais. A versão voltada à primeira infância foi descrita no livro GAPS Baby, Building Baby's Biome. Publicada em 2023, a obra orienta priorizar alimentos pastosos, além do uso frequente de probióticos e da introdução lenta de sólidos.
Mas, em vez de melhorar a imunidade e o desenvolvimento neurológico dos bebês, esse modelo pode causar problemas. “Não existem ensaios clínicos robustos que validem a dieta GAPS, e as sociedades Europeia e Norte-Americana de Gastroenterologia, Hepatologia e Nutrição Pediátrica não recomendam seu uso. Pelo contrário, destacam que dietas altamente restritivas, sem indicação médica formal, podem acarretar riscos nutricionais significativos”, alerta a gastropediatra Camila Torga de Lima e Silva.
A popularização da Baby GAPS também é impulsionada por desinformação. Em alguns conteúdos, a dieta é associada à melhora da imunidade de bebês prematuros ou com sensibilidades alimentares, e até indicada com base em alegações como a relação entre vacinação, “toxinas” e desenvolvimento de autismo, hipóteses já refutadas pela ciência.