SAÚDE
Restringir açúcar no início da vida reduz risco cardiovascular no futuro
Estudo mostra benefícios da pouca exposição ao ingrediente nos primeiros dois anos de vida
A restrição do consumo de açúcar nos primeiros mil dias de vida pode proteger contra vários problemas cardiovasculares, como infarto, insuficiência cardíaca e acidente vascular cerebral (AVC), além de atrasar o aparecimento dessas doenças. Os dados são de um estudo publicado recentemente no British Journal of Medicine.
Já se sabe que o período que vai da concepção até por volta dos 2 anos de idade (que soma os primeiros mil dias de vida) é uma janela capaz de modelar o risco cardiometabólico futuro. Para avaliar o impacto do açúcar nessa fase, os autores se basearam em uma política de racionamento do ingrediente doce vigente no Reino Unido entre 1942 e 1953, como parte de um programa para prevenir a escassez de alimentos durante e logo após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Para isso, selecionaram 63.433 participantes do levantamento britânico UK Biobank, nascidos entre outubro de 1951 e março de 1956. Eles foram separados em dois grupos, a fim de comparar os indivíduos expostos ao racionamento ainda no útero e aqueles nascidos após o fim da política.
A análise revelou que, quanto maior a duração da restrição de açúcar, maior a proteção cardiovascular. Para se ter uma ideia, aqueles menos expostos ao ingrediente tiveram uma queda de 25% no risco de infarto e de 31% na chance de um AVC na idade adulta. Além disso, desenvolveram doenças cardiovasculares mais tardiamente, cerca de dois anos depois que os demais.
No entanto, o trabalho tem algumas limitações metodológicas. Por ser um estudo observacional, baseado em dados históricos, não se pode afirmar que existe uma relação de causa e efeito entre o consumo de açúcar e essas doenças.
Ainda assim, os achados sugerem que a restrição precoce de açúcar contribui para a formação de um metabolismo mais saudável.