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ESPAÇO PET

Gatos e mudança de casa: o pet se apega ao lar ou ao dono?

Especialista desmistifica a “frieza” felina e orienta como realizar a transição de endereço sem traumas

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Imagem ilustrativa da imagem Gatos e mudança de casa: o pet  se apega ao lar ou ao dono?
| Foto: Divulgação

A antiga crença popular de que “o cão se apega ao dono e o gato, à casa” vem perdendo força diante das novas descobertas da ciência comportamental. Embora o território seja um pilar fundamental para a segurança dos felinos, o vínculo afetivo com os humanos é real, complexo e profundo. No entanto, quando o assunto é mudança de endereço, o desafio é equilibrar a manutenção desse laço social com a reconstrução de um mundo sensorial que, para o gato, deixou de existir.

De acordo com o médico-veterinário Rodrigo Krhom, a diferença entre cães e gatos reside na forma de expressão. Enquanto o cão é expansivo, o gato prefere a previsibilidade.

“O gato não se apega só à casa. Ele se apega à rotina e às pessoas que fazem parte daquele território”, explica Krhom. Segundo ele, o que o animal sente em uma ausência ou mudança é uma combinação da quebra do elo emocional com a desestruturação do dia a dia.

Para um felino, mudar de endereço é como se o mundo inteiro fosse reorganizado. Isso ocorre porque eles utilizam glândulas no rosto e no corpo para marcar móveis e paredes com feromônios, criando um “mapa de segurança”.

“Quando acontece a mudança, todo esse mapa desaparece. É por isso que muitos tentam fugir para retornar à antiga casa, tentando seguir o próprio rastro”, alerta o veterinário. Sintomas físicos como vômitos e alterações intestinais podem surgir caso o tutor não gerencie corretamente essa transição.

Imagem ilustrativa da imagem Gatos e mudança de casa: o pet  se apega ao lar ou ao dono?
| Foto: Divulgação

Para minimizar o trauma, a organização deve começar antes de o caminhão de mudança chegar. Krhom recomenda isolar o gato em um cômodo tranquilo da casa antiga com seus objetos (caminha, areia e água) enquanto os móveis são carregados.

No transporte, a caixa é indispensável, preferencialmente com uma manta que já tenha o cheiro do animal. “No mercado pet, temos feromônios sintéticos que ajudam a acalmar. Eles simulam as substâncias que os gatos liberam naturalmente quando estão seguros”, pontua.

A técnica do território progressivo

Ao chegar no novo destino, o erro mais comum é dar liberdade total ao pet imediatamente. A recomendação técnica é o território progressivo: o gato deve ser mantido inicialmente em um único cômodo “base”. À medida que ele demonstra confiança e começa a se esfregar nos móveis — deixando sua assinatura olfativa — outros cômodos podem ser liberados.

“Não se deve lavar todos os objetos do gato logo nos primeiros dias”, aconselha o especialista. Manter o cheiro antigo em arranhadores e mantas ajuda o felino a entender que, embora o CEP tenha mudado, ele ainda está em um ambiente familiar. Com paciência e respeito ao tempo do animal, o novo espaço deixa de ser um local estranho para se tornar, finalmente, um lar.

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