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    Papel ou tela? O que a psicologia diz sobre o apego aos livros físicos

    Estudo revela que a preferência por livros impressos envolve processos cognitivos e sensoriais

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    Imagem ilustrativa da imagem Papel ou tela? O que a psicologia  diz sobre o apego aos livros físicos
    | Foto: Clay Banks/Unsplash

    A imagem de uma estante cheia de livros costuma ser associada ao romantismo ou à resistência ao progresso. No entanto, para a psicologia, a escolha pelo papel tem raízes muito mais profundas na neurociência do que na nostalgia. Ao contrário do que se imagina, o leitor de livros físicos não é um “tecnofóbico”, mas alguém que, consciente ou inconscientemente, busca uma arquitetura cognitiva que as telas ainda não conseguem replicar.

    Para a psicóloga Cibele Santos, a experiência de leitura é um processo multissensorial. “O toque das páginas proporciona uma conexão física que enriquece a experiência. Sentir a textura e o peso do livro cria uma intimidade que se perde no vidro das telas”, explica. Esse estímulo tátil envia sinais ao cérebro que ajudam a consolidar o hábito e o prazer da leitura.

    Geografia da leitura: A memória espacial

    Um dos maiores diferenciais do papel é a capacidade de criar mapas mentais. Quando lemos em um dispositivo digital, o texto é fluido e instável. Já no impresso, a informação ocupa um lugar fixo.

    “A memória espacial é nossa capacidade de lembrar onde encontramos uma informação. No papel, o cérebro mapeia o conteúdo, facilitando a recuperação de dados durante discussões ou consultas posteriores”, afirma Cibele.

    Na prática, você se lembra de que aquela frase importante estava no “canto inferior da página esquerda”, um ancoradouro visual inexistente no scroll infinito dos e-books.

    Benefícios cognitivos e saúde mental

    Além da compreensão, a leitura em papel é uma aliada da saúde mental. Em um mundo hiperconectado, o livro físico oferece um refúgio. Segundo a especialista, a leitura off-line é amplamente superior para a retenção de conteúdo complexo:

    “Estudos mostram que a falta de distrações digitais e a experiência tátil contribuem para uma absorção mais profunda. Além disso, o impresso reduz a fadiga ocular e promove um ambiente de reflexão que as telas, com seu brilho e notificações, raramente permitem”.

    O livro como símbolo

    A tendência de colecionar exemplares físicos também encontra explicação no comportamento humano. Para Cibele, os livros não são meros objetos decorativos, mas símbolos de conhecimento e nostalgia. Uma estante é, na verdade, um reflexo dos interesses e da história de vida do leitor, servindo como uma âncora emocional em um mundo cada vez mais efêmero e digital.

    Independentemente do suporte, o importante é o acesso ao saber, mas a ciência é clara: o papel ainda guarda segredos que o silício não foi capaz de superar.

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