POLÍTICA
Congresso suspende sessão sobre renúncia de presidente
Santiago Peña informou que tomou a decisão “pensando na estabilidade do país”
O Congresso do Paraguai suspendeu, na tarde dessa quinta-feira (5), a sessão conjunta para analisar a renúncia apresentada pelo presidente Santiago Peña. A suspensão ocorreu após parlamentares governistas deixarem o plenário, esvaziando o quórum para a votação.
Em vídeo publicado em suas redes sociais, Peña informou que tomou a decisão "pensando na estabilidade do país, na paz social e na necessidade de preservar as instituições democráticas".
Em paralelo à análise da renúncia, a Câmara dos Deputados do Paraguai aprovou o impeachment do presidente por unanimidade, com 78 votos favoráveis. O processo avançou para o Senado. A oposição defende a cassação em vez da renúncia para impedir que o mandatário obtenha imunidade parlamentar.
Pela Constituição paraguaia, ex-presidentes tornam-se senadores vitalícios ao deixar o cargo. Nessa condição, não têm direito a voto, mas podem participar das sessões na Casa e contam com foro privilegiado, o que obsta processos na Justiça comum. Caso sofra o impeachment, Peña perderá o direito ao posto de senador vitalício e à prerrogativa de foro.
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O Partido Colorado, legenda do chefe de Estado, havia anunciado na mesma quinta-feira o apoio à sua remoção, sustentando que a medida restauraria a ordem institucional no país. Horacio Cartes, presidente do partido, publicou nota nas redes sociais afirmando que a agremiação não tolerará "o roubo de fundos públicos, privados e de pensões".
Ainda na quinta-feira, a Câmara rejeitou o impeachment do vice-presidente do país, Pedro Alliana, por 48 votos contra 30. Com a decisão, Alliana consolida-se para assumir a Presidência da República.
Aos 52 anos, o vice-presidente acumula trajetória nos poderes Executivo e Legislativo. Foi governador entre 2008 e 2012 e atuou na Câmara dos Deputados de 2013 a 2023. Nesse período, presidiu a Casa em diferentes ocasiões e comandou o Partido Colorado, principal força política do país, de 2015 a 2023. Atualmente, vinha desempenhando funções voltadas à política externa.
CRISE BANCÁRIA
O banco Ueno, pertencente ao Grupo Vázquez, encerrou as atividades na terça-feira (3), após o Banco Central do Paraguai iniciar o processo de liquidação da instituição ao constatar um déficit nos índices de solvência relacionado a empréstimos concedidos a empresas coligadas.
Peña, economista que assumiu o governo em 2023, foi acionista até março daquele ano do grupo proprietário do banco — instituição que contava com cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões (R$ 4,6 bilhões) em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
A oposição acusa o presidente de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento por parte do Banco Central.
“Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente... o senhor é a origem desse monstro que criou”, declarou a deputada oposicionista Rocío Vallejo no plenário.
Em publicação na rede social X, Peña afirmou que os responsáveis pelas irregularidades responderão perante a Justiça, sem exceções, pouco antes de promulgar lei que permitirá aos poupadores do Ueno a recuperação mais rápida de seus depósitos. “Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, apelou.
Defesa
Em meio ao escândalo, Santiago Peña, disse em nova nota nessa quinta-feira (5) que vai apresentar sua defesa "em respeito à Constituição" —e pediu que os paraguaios preservem "a calma e a paz".
Segundo a imprensa local, Peña tem até as 10h desta sexta (6) para se defender do processo. "O farei com argumentos e provas, com respeito à Constituição e às instituições da República."
"Sei que estamos vivendo horas de preocupação e incerteza", afirmou. "Exercerei meu direito não por uma questão de orgulho pessoal, mas porque prestar contas e dar explicações também é uma responsabilidade perante o povo paraguaio."
"Colaborarei plenamente com as instituições competentes para que se esclareça o ocorrido, se determinem as responsabilidades e para que aqueles que tenham infringido a lei respondam perante à Justiça", prosseguiu Peña.