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Protestos de estudantes na França chegam a dia mais grave

Revolta de secundaristas reúne centenas de milhares em mais de 40 cidades

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Manifestantes se reúnem em volta de estátua no centro de Paris
Manifestantes se reúnem em volta de estátua no centro de Paris | Foto: — Divulgação

A revolta dos secundaristas franceses teve nessa terça-feira (6) o seu dia maior e mais grave desde que os liceus começaram a ser bloqueados, há quase três semanas. O Ministério do Interior contou 256 mil manifestantes em mais de 40 cidades, 56 mil deles em Paris; as entidades organizadoras (USL, FAGE, Union étudiante e UNEF) falam em 450 mil e 100 mil, respectivamente.

O que preocupa o governo é a curva: o movimento cresce a cada jornada, saiu dos liceus, alcançou as universidades (cerca de 40% das instituições públicas de ensino superior foram perturbadas, segundo o ministério) e pode desembocar na campanha presidencial, daqui a cerca de seis meses.

A França tem longa experiência com ebulições assim, e é essa história que alimenta o temor de que o movimento se alastre. Da Revolução de 1789 a maio de 1968, quando a revolta de estudantes parisienses virou greve geral de milhões de trabalhadores, a rua sempre pesou na política do país.

Em 1986, o projeto Devaquet, que ampliava a seleção na universidade, foi retirado depois que Malik Oussekine, um estudante de 22 anos, morreu espancado por policiais. Em 2018, os gilets jaunes (coletes amarelos) saíram às ruas contra a alta do combustível e, em atos semanais aos sábados, transformaram um tributo em revolta contra o governo.

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O historiador Robi Morder, especialista em movimentos estudantis, reconhece um roteiro conhecido, com bloqueios, demandas materiais e acusação de manipulação externa, e adverte: "Não se pode saber no começo o que acontece no fim."

Paris concentrou a principal marcha nacional, com dezenas de milhares de pessoas, entre a Place de la République e a Place de la Nation. Ali houve pedras, gás lacrimogêneo e uma barricada incendiada no boulevard Voltaire; a polícia falou em 300 "indivíduos hostis" no cortejo.

O presidente Emmanuel Macron reuniu no Palácio do Eliseu o primeiro-ministro Sébastien Lecornu e os ministros Laurent Nuñez (Interior) e Édouard Geffray (Educação). A crise já tensiona a rotina da capital: escolas particulares reforçaram a segurança, há mais policiais nas ruas e o entorno de vários liceus está sob vigilância pesada.

O movimento nasceu longe dos bairros centrais, em liceus populares da periferia parisiense, a começar por Créteil, e só depois chegou ao centro das grandes cidades e a outros territórios. Ganhou forma em 21 de setembro no liceu Saint-Exupéry, em Créteil, onde, segundo Geffray, faltavam três professores, uma diretora adjunta, uma assistente social e uma psicóloga escolar.

Em 24 e 25 de setembro, cerca de 60 liceus da Île-de-France foram afetados, e a USL convocou o bloqueio de todos os liceus para terça-feira (29), dia de greve do funcionalismo.

O presidente da USL, Ryad Rani, comemora a velocidade da expansão. Segundo ele, os liceus bloqueados passaram de 100 na segunda (28) a 400 na terça (29) e a 643 na quinta (1º), e hoje há 2.000 fechados. "Por enquanto, está indo muito bem. O movimento só cresce desde o início, e isso diz muito, porque no começo nos diziam que era algo muito isolado", afirmou.

A pauta é concreta: professores ausentes e sem substituto, salas lotadas, prédios degradados e sufocantes no calor do verão, dias de aula que vão das 8h às 18h. Daí as entidades estudantis chegaram a dez medidas. A mais explosiva é o fim do Parcoursup, plataforma criada em 2018 pela qual os formandos disputam vagas no ensino superior e que os alunos tratam como um algoritmo opaco de triagem.

Os manifestantes pedem ainda 250 mil vagas a mais, revisão da reforma do bac (o exame que encerra o ensino médio), contratação em massa de pessoal de ensino e de saúde, com um enfermeiro escolar para cada 500 alunos, segundo a porta-voz da Union étudiante, Sabrine Kharbach, e o fim da violência policial.

A resposta policial virou o segundo eixo do conflito. Segundo o Ministério do Interior, mais de 6.000 pessoas foram detidas desde o início dos atos, a maioria menores. Em Saint-Ouen-l'Aumône, o policial que atirou com um lançador de granadas no rosto de Eden, 14, foi indiciado por violência seguida de mutilação, e o promotor de Pontoise disse que as condições de legítima defesa "não estão reunidas".

Em Lens, no norte, um garoto de 15 anos perdeu uma das mãos na segunda-feira (5); uma fonte policial diz que ele pegou uma granada, mas as circunstâncias não foram esclarecidas. O gabinete do primeiro-ministro contabiliza 715 policiais, 215 estudantes e 85 profissionais da educação feridos.

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