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RELIGIÃO

Vaticano excomunga bispos e membros de grupo católico

Sociedade de São Pio X ordenou 4 integrantes sem aprovação do papa Leão XIV

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A Sociedade de São Pio X é um grupo ultratradicionalista
A Sociedade de São Pio X é um grupo ultratradicionalista | Foto: — Divulgação

O Vaticano anunciou nessa quinta-feira (2) que padres e membros de um grupo católico dissidente, que ordenou quatro novos bispos desafiando a vontade do papa Leão XIV, estão em cisma e excomungados.

A Sociedade de São Pio X, um grupo ultratradicionalista, prosseguiu com as ordenações na quarta-feira (1º) sem aprovação papal, apesar dos apelos do pontífice para que a decisão fosse revertida.

Em resposta, o dicastério para a doutrina do Vaticano publicou, nesta quinta-feira, um decreto declarando que os quatro bispos estão excomungados, juntamente com os dois bispos que participaram da cerimônia de ordenação. A excomunhão significa que eles estão excluídos dos sacramentos da Igreja.

Em nota explicativa, o decreto acrescentou que os sacerdotes pertencentes à sociedade e os leigos que “aderem formalmente” ao grupo também estão em cisma e excomungados.

O decreto adverte todos os “clérigos e fiéis leigos” a não seguirem formalmente a sociedade, pois incorrerão automaticamente na pena de excomunhão.

Em um decreto contundente, o Dicastério para a Doutrina da Fé — principal órgão de supervisão doutrinária da Igreja, que conta com 1,4 bilhão de fiéis — também alertou os católicos de todo o mundo de que a Fraternidade de São Pio X, sediada na Suíça, celebra agora os sacramentos de forma ilícita.

O grupo ultratradicionalista, que rejeita ensinamentos fundamentais da Igreja, não pode celebrar casamentos nem ouvir confissões de maneira válida, segundo o decreto.

É um princípio rigoroso da Igreja que apenas o papa pode autorizar a consagração de novos bispos, a fim de preservar os vínculos da instituição com os 12 apóstolos de Jesus, considerados os primeiros padres e bispos.

A Igreja considera a ordenação não autorizada de bispos tão grave que acarreta a excomunhão automática dos participantes da cerimônia, ou seja, a sua saída da comunhão com a Igreja, impedindo-os de receber os sacramentos até que se arrependam e peçam perdão.

O decreto desta quinta-feira já era amplamente esperado.

Cisma é um termo que indica uma ruptura formal e grave dentro da comunidade católica.

A Fraternidade São Pio X nega os principais ensinamentos do Concílio Vaticano II, um encontro histórico de bispos no Vaticano na década de 1960 que buscou implementar uma série de reformas para a Igreja global e reparar suas relações com judeus e outras denominações cristãs.

O Concílio também permitiu que a Missa, até então celebrada apenas em latim, fosse realizada em línguas vernáculas. A Sociedade rejeitou essa mudança, alegando preferência pelo senso de mistério e pela formalidade do rito latino.

A Sociedade — cujos seguidores são por vezes chamados de lefebvrianos, em referência ao seu fundador, o arcebispo Marcel Lefebvre — afirma contar com 733 padres em todo o mundo.

Sua liderança, que há muito mantém relações tensas com o Vaticano, sustenta que precisava ordenar novos bispos para garantir um número suficiente de prelados para conduzir o grupo.

Fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre (1905-1991), a Fraternidade de São Pio X foi uma das respostas aos avanços do Concílio Vaticano 2º, série de encontros ocorridos entre 1962 e 1965 com o objetivo de trazer a Igreja Católica para a contemporaneidade, tornando a liturgia mais acessível e assumindo compromissos sociais de combate à pobreza, entre outros pontos, como a importância do ecumenismo.

Os seguidores de Lefebvre, por exemplo, continuaram celebrando as missas pelo rito tridentino, formato também chamado de “missa antiga” — com o padre de costas para a assembleia e as orações em latim.

Ex-coordenador do Núcleo Fé e Cultura da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, o sociólogo Francisco Borba Ribeiro Neto explica que a posição da Fraternidade, reafirmada, é de “firme oposição ao Concílio Vaticano 2º” e eles entendem como necessário um “regresso à tradição”. “Acontece que tanto o papa quanto o Concílio são reconhecidos como autoridade pela Igreja”, pondera o sociólogo.

Longe de ser irrelevante, a organização tem entre seus adeptos pelo menos 700 padres em todo o mundo — e, calcula-se, cerca de 500 mil fiéis católicos sigam essa vertente. Nesta quarta-feira, por exemplo, 15 mil leigos participaram da celebração em Écône. A cerimônia foi transmitida ao vivo em seis idiomas.

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