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Irã acusa EUA de violar cessar-fogo e suspende negociações

Ataques americanos e ofensiva israelense no Líbano ampliam risco de nova escalada regional

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Baghaï diz que qualquer acordo depende da suspensão dos ataques
Baghaï diz que qualquer acordo depende da suspensão dos ataques | Foto: Reprodução

O governo do Irã acusou nessa segunda-feira (1º) os Estados Unidos e Israel de violarem o cessar-fogo em vigor no Oriente Médio e ameaçou adotar medidas para defender sua segurança nacional. A declaração foi feita pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaïl Baghaï, após ataques americanos e a intensificação das operações militares israelenses no Líbano.

Segundo Teerã, os Estados Unidos romperam a trégua ao realizar, no fim de semana, ataques contra centros de comando de drones e sistemas de radar iranianos na cidade de Goruk e na ilha de Qeshm, no Estreito de Ormuz. Em resposta, a Guarda Revolucionária afirmou ter atingido uma base utilizada pelos norte-americanos.

Baghaï também acusou Israel de descumprir o cessar-fogo no Líbano ao ampliar os ataques contra posições do Hezbollah. Segundo ele, qualquer acordo mais amplo entre Irã e Estados Unidos depende da interrupção das operações militares israelenses no território libanês.

Diante da escalada da tensão, o Irã suspendeu as negociações indiretas com Washington. Autoridades iranianas afirmaram que não aceitarão acordos sem garantias concretas de respeito aos interesses do país e reiteraram que o programa nuclear iraniano não faz parte das discussões em andamento.

Apesar do impasse, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Irã continua interessado em concluir um acordo. Em publicação na rede Truth Social, ele disse acreditar que um entendimento será alcançado e informou ter conversado com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para evitar um avanço militar sobre Beirute. Segundo Trump, representantes do Hezbollah também teriam concordado em interromper os ataques contra Israel.

A crise provocou preocupação internacional. A pedido da França, o Conselho de Segurança da ONU convocou uma reunião de emergência para discutir a situação no Oriente Médio. O presidente francês, Emmanuel Macron, criticou a escalada militar no sul do Líbano e manifestou apoio aos esforços diplomáticos para alcançar um acordo de paz.

Os confrontos entre Israel e Hezbollah continuam praticamente diários, apesar da trégua anunciada em abril. A nova escalada aumenta as incertezas sobre a manutenção do cessar-fogo e amplia os riscos de agravamento do conflito na região.

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