CONFLITO
Irã negocia retomar construção de usinas nucleares com a Rússia
Duas unidades estavam em andamento, mas foram interrompidas após ataques de EUA e Israel
Kazem Jalali, embaixador do Irã na Rússia, afirmou nessa sexta-feira (24) que o Irã está em contato com Moscou para concluir a usina nuclear de Bushehr, ao sul do país. A construção da segunda fase da usina, que deveria incluir duas unidades de geração de energia, foi suspensa devido ao conflito com os Estados Unidos e Israel.
O representante expressou esperança de que a construção e a conclusão de novas unidades na usina, localizada no sul do Irã, “avancem mais rapidamente”.
“Estamos em constante contato e esperamos que sejam criadas as condições para que os funcionários da corporação nuclear estatal russa Rosatom possam realizar seu trabalho”, disse à agência de notícias russa RIA Novosti.
O Irã opera atualmente uma usina nuclear na região. A primeira unidade foi concluída também com participação russa e começou a operar em setembro de 2011.
Após o início dos ataques, a Rússia evacuou a maior parte de seus especialistas da região. Segundo Alexey Likhachev, chefe da Corporação Estatal Rosatom, uma aliança militar entre EUA e Israel, 20 pessoas permanecem no local para proteger os equipamentos e supervisionar o canteiro de obras.
Ataques reiterados ao redor da usina causaram danos a prédios auxiliares e um funcionário de segurança morreu, acusou a Organização de Energia Atômica do Irã (AEOI), estatal iraniana. Rafael Grossi, diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), alertou que ataques à instalação podem causar uma “catástrofe nuclear”.
A construção da usina começou em 1975, por empresas alemãs, mas foi concluída em 2011 pelo Ministério da Energia Atômica da Rússia. É a primeira usina nuclear do Oriente Médio, com um reator em operação. A Unidade 1 de Bushehr fornece atualmente cerca de 1.000 MW à rede elétrica nacional.
EUA
O fim do programa nuclear do Irã era uma das justificativas principais alegadas pelos norte-americanos para atacar o país do Oriente Médio. Contudo, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, declarou, na quinta-feira (23), que o programa nuclear deixou de ser, neste momento, o principal tema das tratativas.
De acordo com Baghaei, o atual cenário da guerra inviabiliza esse enfoque. “A principal questão agora é encerrar o conflito de uma forma que atenda aos interesses de Teerã”, afirmou.
Baghaei também criticou o que chamou de “narrativa recorrente” sobre o programa nuclear iraniano. Segundo ele, há mais de duas décadas o tema é usado para pressionar o país, ao mesmo tempo em que acusou Israel de manter armas nucleares na região.