Oriente Médio
Navios recuam após bloqueio no Estreito de Ormuz, dizem EUA
Medida do governo americano tenta pressionar o Irã após restrições na via marítima
As Forças Armadas dos Estados Unidos informaram ontem que nenhuma embarcação conseguiu atravessar o bloqueio naval estabelecido pelo país norte-americano no Estreito de Ormuz. “Durante as primeiras 24 horas, nenhum navio conseguiu passar pelo bloqueio dos EUA, e 6 embarcações mercantes acataram as ordens das forças dos EUA para dar meia-volta e reentrar em um porto iraniano no Golfo de Omã”, diz um trecho do comunicado.
A operação teve início nessa segunda-feira (13), quando os EUA posicionaram 12 navios de guerra na entrada do estreito, na região do Golfo de Omã. A medida, segundo o comunicado divulgado pelas Forças Armadas dos EUA, tem como objetivo impedir a circulação de embarcações que tenham origem ou destino a portos iranianos.
O bloqueio envolve mais de 10 mil integrantes das forças armadas, entre marinheiros, fuzileiros navais e aviadores. A operação também conta com dezenas de aeronaves de apoio e vigilância.
Segundo os EUA, a ação está sendo conduzida de forma “imparcial”. “O bloqueio está sendo aplicado de forma imparcial contra embarcações de todas as nações que entram ou saem dos portos iranianos e áreas costeiras, incluindo todos os portos iranianos no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã”.
“As forças dos EUA estão apoiando a liberdade de navegação para embarcações que transitam pelo Estreito de Ormuz para portos não iranianos e vice-versa”, finalizou a nota.
Desde o início da guerra no Oriente Médio, Teerã passou a controlar a passagem pelo estreito e a exigir o pagamento de taxas para autorizar a travessia de embarcações.
A nova ofensiva foi anunciada pelo presidente Donald Trump como resposta à decisão do Irã de restringir o tráfego marítimo de Ormuz.
O estreito é considerado um dos pontos mais sensíveis da economia global, já que cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo passe pela via.
A decisão dos EUA de impor o bloqueio ocorre após o fracasso das negociações com o governo iraniano, que buscavam reduzir as tensões e evitar uma escalada do conflito entre os dois países.
Sem avanço nas negociações, Washington escolheu intensificar a pressão por meio de uma ação militar direta no entorno do estreito.
Em resposta, o regime iraniano elevou o tom e ameaçou reagir. Autoridades do país persa afirmaram que podem atacar navios de guerra que cruzarem a região e também retaliar portos de países vizinhos no Golfo que apoiem ou facilitem a operação norte-americana.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, intensificou a ofensiva diplomática nesta segunda-feira ao discutir com líderes da Arábia Saudita e do Catar os desdobramentos do bloqueio imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos.
Teerã classificou a medida como provocativa e alertou para riscos à estabilidade global.
Em conversas telefônicas com o chanceler saudita, Faisal bin Farhan, e com o primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores do Catar, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, Araghchi afirmou que o Irã tem adotado uma postura de “boa-fé” nas negociações com Washington, apesar da falta de avanços.
Segundo Araghchi, Teerã entrou “de forma responsável” no processo diplomático, buscando proteger seus interesses nacionais e preservar a segurança regional.
NOVA REUNIÃO
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump afirmou ontem que uma nova rodada de negociações de paz com o Irã pode ser realizada em Islamabad, capital do Paquistão, nos próximos dois dias.
A afirmação foi feita por Trump em uma ligação de retorno a uma jornalista do The New York Post, após uma entrevista sobre as perspectivas de negociação.
A afirmação foi feita dois dias após a primeira tentativa de acabar com o conflito, também na capital paquistanesa, no fim de semana. Foram 21 horas de tratativas, mas as comitivas deixaram o país sem chegar a um acordo.
Trump acusou o Irã de não querer renunciar ao seu programa nuclear; por isso, no dia seguinte, ele ordenou o fechamento total do Estreito de Ormuz.
Na ligação, Trump elogiou o trabalho do chefe do exército paquistanês, Asim Munir, como mediador. Ao dizer que ele está fazendo um “ótimo trabalho”, o presidente norte-americano afirmou: “Ele é fantástico; por isso, é mais provável que voltemos lá”.