Após 54 anos
Artemis II: foguete é lançado com 4 astronautas rumo à Lua
Missão tem duração prevista de dez dias e prevê sobrevoo ao redor do satélite
A Nasa, agência espacial americana, lançou, na noite dessa quarta-feira (1º), a missão Artemis II, que marca o retorno de astronautas à órbita da Lua após mais de cinco décadas. A decolagem ocorreu às 19h35 (horário de Brasília), a partir do Centro Espacial Kennedy, levando quatro tripulantes a bordo da espaçonave Orion.
Impulsionado pelo foguete Space Launch System (SLS), o lançamento foi acompanhado por uma intensa coluna de fogo e um forte estrondo, enquanto o veículo deixava a plataforma e ganhava o céu sob aplausos do público presente.
O conjunto, com cerca de 98 metros de altura e mais de 2.600 toneladas após o abastecimento com hidrogênio e oxigênio líquidos, enfrentou ajustes técnicos de última hora, solucionados antes da decolagem.
A missão, com duração estimada de dez dias, prevê um sobrevoo ao redor da Lua sem pouso. A trajetória segue o chamado “retorno livre”, em que a gravidade lunar auxilia no caminho de volta à Terra. O plano inclui duas órbitas iniciais ao redor do planeta antes de a nave ser impulsionada em direção ao espaço profundo, contornando inclusive o lado oculto do satélite natural.
Nos primeiros dias, ainda em órbita terrestre, a tripulação deve realizar uma série de testes, incluindo a verificação dos sistemas de suporte à vida, navegação, propulsão e comunicação da cápsula Orion. Também está prevista uma manobra de acoplamento simulada com o estágio superior do foguete, etapa considerada essencial para futuras missões com pouso lunar.
TRIPULAÇÃO
A bordo estão o comandante Reid Wiseman, os astronautas Victor Glover e Christina Koch, além do canadense Jeremy Hansen. O grupo representa um marco de diversidade na exploração espacial, sendo a primeira missão à órbita lunar com a participação de uma mulher, de um homem negro e de um astronauta não norte-americano.
Embora não inclua pouso, a Artemis II é considerada etapa fundamental para futuras missões tripuladas à superfície lunar. O voo repete, com tecnologia atualizada, o perfil da histórica Apollo 8, a primeira a levar humanos a orbitar a Lua.
Se bem-sucedida, a missão deve pavimentar o caminho para o retorno de astronautas ao solo lunar e reforçar a presença dos Estados Unidos na nova corrida espacial, em meio aos avanços de outros países, como a Administração Espacial Nacional da China, que projeta uma missão tripulada à Lua até o fim da década.