Oriente Médio
Governo do Irã rejeita plano dos EUA para fim da guerra
Teerã impõe condições para cessar-fogo e mantém Estreito de Ormuz sob tensão
O Irã rejeitou o plano de 15 pontos apresentado pelos Estados Unidos para encerrar a guerra com Israel, em curso há quase um mês, e apresentou novas exigências para interromper os combates e liberar a navegação no Estreito de Ormuz, atualmente restrita.
A recusa foi divulgada ontem por veículos estatais iranianos. Segundo autoridades em Teerã, aceitar a proposta equivaleria a uma derrota. “O Irã encerrará a guerra quando decidir fazê-lo”, afirmou um representante do governo, ao classificar as demandas americanas como “desconectadas da realidade”.
Entre as condições impostas pelo Irã estão a cessação total dos ataques, garantias de que novas ofensivas não ocorrerão, pagamento de indenizações de guerra e o reconhecimento da soberania iraniana sobre o Estreito de Ormuz. O governo também defende o fim das hostilidades em outras frentes regionais, como no Líbano.
O plano articulado pelo presidente Donald Trump prevê, por outro lado, o desmantelamento do programa nuclear iraniano, incluindo o fim do enriquecimento de urânio, restrições ao programa de mísseis balísticos e o encerramento da rede de milícias aliadas de Teerã no Oriente Médio. Em troca, os EUA acenam com a retirada de sanções e apoio a projetos de energia nuclear civil.
A proposta foi considerada “maximalista” por fontes iranianas, que também negaram a existência de negociações diretas com Washington. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que “não houve negociações” e acusou os EUA de tentar manipular o cenário político e econômico.
Em resposta, a Casa Branca elevou o tom. A porta-voz Karoline Leavitt disse que o governo está preparado para intensificar a ofensiva. “O presidente não blefa”, declarou.
Sem acordo, o Estreito de Ormuz permanece sob tensão, com impacto potencial no fluxo global de petróleo. Autoridades iranianas também ameaçaram ampliar o conflito para outras rotas estratégicas, como o estreito de Bab al-Mandeb, por onde passa parte relevante do comércio marítimo internacional.
A proposta americana foi encaminhada ao Irã por meio do Paquistão, mas já enfrentava resistência antes mesmo de sua formalização. Diplomatas indicam que o plano retoma pontos de negociações anteriores, interrompidas após a escalada militar iniciada no início do ano.
No cenário interno dos EUA, o conflito enfrenta resistência. Pesquisa recente aponta que apenas 35% dos americanos apoiam os ataques ao Irã, o que pressiona a Casa Branca por uma solução rápida.
Enquanto isso, os confrontos seguem. Mísseis continuam atingindo cidades israelenses, e há movimentação de tropas americanas na região. Países do Golfo também acompanham a escalada, com sinais de possível envolvimento mais direto, o que amplia o risco de expansão do conflito no Oriente Médio.