Abastecimento
Rússia enviará petróleo a Cuba mesmo após ameaça dos EUA
Moscou promete ajuda humanitária diante da grave crise energética na ilha


A Rússia anunciou que enviará carregamentos de petróleo bruto e derivados a Cuba como ajuda humanitária, em meio à crise energética que atinge a ilha. A informação foi divulgada ontem pela embaixada russa em Havana e confirmada por veículos da imprensa estatal russa.
Cuba enfrenta escassez de combustível após o endurecimento das sanções dos Estados Unidos, que passaram a bloquear o envio de petróleo venezuelano – principal fonte de abastecimento da economia cubana. Washington também ameaça aplicar tarifas a países que comercializem petróleo com a ilha.
Sem o fornecimento regular da Venezuela e com dificuldades de importação, o governo cubano adotou medidas de racionamento e priorizou o uso de combustível em setores considerados essenciais, como saúde, abastecimento de água e alimentos, defesa, agricultura e turismo.
Dados de mercado indicam que os estoques de petróleo do país estariam próximos do limite, o que tem provocado apagões e restrições no transporte. Diante do cenário, Havana anunciou ainda a descentralização das importações de combustíveis e a ampliação de investimentos em fontes alternativas de energia, especialmente solar.
O Kremlin minimizou o impacto de eventuais retaliações comerciais por parte dos Estados Unidos. “Não queremos nenhuma escalada, mas atualmente não temos muito comércio com os EUA. Essa é a realidade”, afirmou o porta-voz Dmitry Peskov. Ele também criticou as sanções americanas, dizendo que as “táticas sufocantes” impostas por Washington têm causado dificuldades adicionais ao país caribenho.
O embaixador russo em Cuba, Viktor Koronelli, declarou que Moscou manterá o apoio à ilha. “Sem a ajuda dos amigos seria extremamente difícil. A Rússia não vai abandonar Cuba”, afirmou.
Além da Rússia, o México informou que mantém negociações diplomáticas para eventual envio de petróleo a Havana. Já os Estados Unidos anunciaram a liberação de US$ 6 milhões em ajuda humanitária destinada a mitigar os impactos de um furacão que atingiu a ilha no ano passado. O vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernández de Cossio, classificou a medida como “hipócrita”, ao criticar simultaneamente as sanções econômicas impostas por Washington.
