COLUNA DO MARLON
A Copa não cabe em quatro números
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Neste sábado (13), quando a bola rolar, milhões de brasileiros já terão escalado a Seleção. Uns defenderão o 1-4-3-3, outros jurarão que o caminho é o 1-4-2-4. Bastará uma escalação para que, antes mesmo do primeiro passe, muitos decretem que o Brasil acertou ou errou.
O curioso é que a discussão quase sempre começa pelo lugar errado.
Particularmente, prefiro uma equipe com um meio-campista a mais. Entendo que isso proporciona maior controle do jogo, aproximações mais curtas, melhor coordenação da pressão e proteção para uma região do campo onde as grandes partidas costumam ser decididas.
Mas futebol não é religião. Não existem mandamentos imutáveis.
Talvez justamente contra os adversários mais fortes, o Brasil precise baixar o bloco, atrair a marcação e atacar os espaços com velocidade e profundidade. Nesse cenário, um 1-4-2-4 pode ser muito mais eficiente do que um 1-4-3-3. Não porque um sistema seja melhor que o outro, mas porque cada jogo faz perguntas diferentes e exige respostas diferentes.
O maior erro é acreditar que os números definem a forma de jogar. Não definem.
Um 1-4-3-3 com Paquetá é completamente diferente de um 1-4-3-3 com Danilo. Cunha oferece comportamentos que Igor Thiago não oferece. Endrick entrega características distintas dos dois. Da mesma maneira, laterais agressivos transformam o funcionamento de uma equipe em relação a laterais de sustentação. O sistema permanece escrito no papel, mas o futebol muda completamente.
Na verdade, o sistema tático é apenas uma fotografia da posição inicial dos jogadores. O jogo começa quando essa fotografia deixa de existir. A partir daí entram as movimentações, os duelos, a ocupação dos espaços, a inteligência para pressionar, acelerar ou controlar a partida.
Copa do Mundo também não premia teimosia. Premia adaptação.
Em uma competição de oito jogos, muitas vezes decide mais quem consegue mudar durante o caminho do que quem chega defendendo uma única ideia. Os campeões normalmente não são os mais apaixonados por um sistema. São os que entendem o momento de utilizá-lo e, principalmente, o momento de abandoná-lo.
Por isso, às vésperas da estreia, talvez a pergunta não seja se o Brasil deve jogar no 1-4-3-3 ou no 1-4-2-4. A pergunta é muito mais simples e muito mais difícil: a Seleção conseguirá ler o jogo melhor que seus adversários?
Porque a Copa do Mundo nunca foi decidida por quatro números. Ela sempre foi decidida pelas escolhas feitas quando eles já não significam mais nada.