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COLUNA DO MARLON

O dia em que o Brasil se encontra

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Momento do desembarque da Seleção Brasileira nos EUA
Momento do desembarque da Seleção Brasileira nos EUA | Foto: Leonardo Munoz/AFP

Outro dia, me peguei lembrando uma música que atravessou gerações: “Noventa milhões em ação…”. Aquele Brasil ficou para trás. Segundo o IBGE, hoje somos mais de 213 milhões. Mudaram os costumes, a tecnologia e a forma de consumir futebol. A televisão da sala agora divide espaço com o celular na palma da mão, o streaming e as múltiplas telas.

O que continua chamando atenção é que poucas instituições ainda conseguem mobilizar tantos brasileiros ao mesmo tempo quanto a Seleção Brasileira.

Basta observar uma convocação. Antes da lista, surgem as críticas ao treinador. Depois da lista, aparecem as contestações aos convocados. Há quem diga que perdeu o interesse pelo futebol. Há quem afirme que a Seleção já não representa o país como antes. Alguns até adotam outra seleção por alguns dias, mais para provocar do que por convicção.

Então, a bola rola.

Os grupos de mensagens voltam a discutir escalações. As famílias comentam os jogos. Os colegas de trabalho debatem escolhas, substituições e resultados. Até quem garante não acompanhar acaba perguntando o horário da partida ou conferindo o placar no celular.

A explicação talvez seja simples: a Seleção nunca foi apenas futebol.

Em um país cada vez mais dividido por opiniões, algoritmos e certezas absolutas, ela continua sendo um raro ponto de encontro. Durante noventa minutos, pessoas de origens, profissões e realidades completamente diferentes compartilham a mesma expectativa diante de uma tela.

Por isso, a paixão e a crítica costumam caminhar juntas. Ninguém discute com intensidade aquilo que considera irrelevante. Quem reclama também demonstra importância. Quem critica também revela envolvimento.

Talvez seja esse o verdadeiro valor da Seleção: não a capacidade de produzir unanimidade, mas a capacidade de produzir encontro. Em um país onde quase tudo nos separa, ainda existem noventa minutos em que milhões de brasileiros voltam a olhar para a mesma direção.

E talvez seja exatamente nesse momento que o Brasil mais se aproxima de si mesmo.

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