COLUNA DO MARLON
O pentacampeonato não bastava
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Escrevi lá atrás, em meio à euforia do penta inédito, que o perigo de vencer estava justamente em adiar uma análise mais rigorosa. Não se tratava de diminuir a conquista, que foi histórica, mas de evitar que a comemoração virasse anestesia.
Mesmo dentro do nível de competitividade do estadual, já havia sinais de que o elenco precisava de ajustes mais profundos. O CRB foi campeão, sim, mas a campanha local não eliminava a percepção de carências, nem autorizava tratar o grupo como pronto para uma temporada de maior exigência. O problema não era o penta, e sim imaginar que ele bastava.
O que veio depois ajuda a compreender melhor esse cenário. A equipe chegou a dez jogos sem vencer após a derrota por 2 a 1 para o Fortaleza, na ida da quinta fase da Copa do Brasil, entrando em um ambiente de pressão que já não permite esconder fragilidades. O time não vence desde 18 de março.
Não cabe o simplório “eu avisei”. Isso é vaidade de quem quer ganhar debate, não de quem busca compreender o futebol. O ponto é outro: títulos também escondem problemas. Às vezes, a vitória adia discussões que o clube precisava enfrentar ainda no calor da conquista.
O penta inédito mereceu aplausos e lugar na história. Mas o estadual, pelo seu nível de competição, não era prova suficiente de que o elenco suportaria, sem ajustes, um calendário mais pesado, adversários mais fortes e um grau de cobrança muito maior.
Quando o sarrafo subiu, a conta apareceu.