COLUNA DO MARLON
A vergonha venceu
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Cruzeiro x Atlético, o maior clássico de Minas, deveria ter entregado ao país a grande vitrine do futebol mineiro. Entregou ao mundo um atestado de decadência. O Cruzeiro venceu por 1 a 0, no Mineirão, no domingo, 8 de março, e ficou com o título estadual. Mas o campeão da tarde foi engolido pelo escândalo da noite: uma pancadaria generalizada que terminou com 23 expulsões registradas em súmula, 12 de um lado, 11 do outro. A taça subiu, o futebol desceu.
O vexame ultrapassou Minas e virou manchete internacional. Não pela qualidade do jogo, não por um roteiro épico, não por um lance genial. O clássico correu o mundo como “loucura total”, “briga do século”, “batalha campal”. E, desta vez, não houve exagero da imprensa. Houve precisão. O maior produto do futebol mineiro não exportou talento, rivalidade ou paixão. Exportou selvageria.
Quando a violência vem da arquibancada, cobra-se punição exemplar. E com razão. Dentro de campo, ela precisa ser ainda mais dura. Jogador profissional não é apenas atleta, é referência pública, é espelho para crianças e adolescentes. No Mineirão, muitos foram ver um campeão e saíram depois de assistir a um UFC coletivo, covarde, primitivo e miserável do ponto de vista moral.
O futebol brasileiro conhece esse filme. O escândalo explode, o discurso endurece, o tribunal se movimenta e, pouco depois, entra em campo a hermenêutica conveniente para aliviar, converter, parcelar e esvaziar a punição. Se isso acontecer de novo, não será apenas mais um erro jurídico-desportivo. Será conivência. Pior, será cumplicidade. Porque a mensagem já foi dada de forma brutal: pelo título vale tudo, até a barbárie.
E um futebol que aceita isso, ou pune de forma branda, não está formando ninguém. Está ensinando errado. Está deformando.