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    COLUNA DO MARLON

    Um torneio curto com nome de Campeonato

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    Campeonato Alagoano tem cara de sprint
    Campeonato Alagoano tem cara de sprint | Foto: Ailton Cruz

    O leitor abre o jornal neste sábado de grande final e encontra um Campeonato Alagoano com cara de sprint. A primeira fase coube em 28 dias, com 7 jogos definindo praticamente tudo, os quatro semifinalistas e o único rebaixado. Do início até hoje, dia do título, foram 57 dias. Não é crítica pela crítica, é constatação: virou um torneio curto com nome de campeonato. E torneio curto tem uma característica cruel: ele não premia quem evolui, ele premia quem já chega pronto.

    A decisão repetida pela quinta vez consecutiva - CRB e ASA - é o reflexo desse funil. O jogo de hoje é o 11º de cada equipe na competição, 7 da primeira fase, semifinal em ida e volta, final em ida e volta. Em formato assim, não existe tempo para corrigir rota. Um tropeço não é um tropeço, é um carimbo.

    O ASA foi líder, atravessou a fase inicial invicto, e perdeu a invencibilidade justamente no primeiro jogo da final. Isso diz muito sobre o “campeonato-torneio”. A régua muda no mata-mata, o peso da camisa aparece, o elenco é testado, a margem de erro vira pó. Numa competição curta, a história não se constrói com capítulos, ela se decide em cenas.

    A FAF, sob o comando de Felipe Feijó, precisa cumprir o calendário nacional e, dentro do tamanho do futebol alagoano, há entregas que merecem registro. Patrocínio, transmissão em TV aberta e streaming, melhoria operacional. Na Copa do Brasil, a FAF TV garantiu que o torcedor não ficasse sem imagens dos representantes do Estado. Logística é parte do produto, e isso melhorou.

    Só que o gargalo segue exposto: investimento, especialmente para o interior. Sem fôlego financeiro para montar elencos com mais qualidade e profundidade, competir vira resistência. A consequência é direta, o nível técnico cai, a imprevisibilidade diminui, o campeonato perde brilho. Futebol sem surpresa vira rotina, e rotina é veneno para quem quer vender o produto, atrair público, segurar patrocinador.

    Agora vem a parte que interessa para 2027. As datas não vão mudar. O calendário não pede licença. Só que entre aceitar o calendário e aceitar a previsibilidade existe um espaço enorme, e esse espaço se chama fórmula de disputa e apoio real aos clubes do interior. Fórmula é escolha, não destino. Incentivo não é favor, é estratégia para elevar o nível e aumentar valor do produto.

    Hoje a taça de 2026 vai ter dono. Amanhã, quando passar a festa e a frustração, fica a pergunta que vale mais do que o placar: em 2027 o Alagoano vai continuar sendo um sprint previsível, ou vai mexer no que pode ser mexido para virar, de novo, um campeonato que surpreende?

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