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    GAZETA 92 ANOS

    Gazeta 92 anos: jornalismo de verdade contra a desinformação

    Antes mesmo do termo “fake news” se firmar, veículo assumia compromisso com os fatos e é destacado pela isonomia

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    Imagem ilustrativa da imagem Gazeta 92 anos: jornalismo de verdade contra a desinformação
    | Foto: DIVULGAÇÃO

    Inteligência artificial, fake news, algoritmos, redes sociais, aplicativos de mensagens. Nos últimos anos, a comunicação vem passando por transformações importantes que exigem mais atenção e cuidado por parte dos profissionais que atuam na área, assim como dos leitores.

    Vivemos hoje em um ambiente comunicacional em que a velocidade supera a profundidade, e a busca por engajamento influencia diretamente a circulação de conteúdos, fazendo com que nem toda notícia à qual temos acesso seja devidamente averiguada. Em meio a tudo isso, manter-se firme e focado no propósito de levar informação de qualidade e com veracidade comprovada não é tarefa das mais fáceis, mas é uma missão que vem sendo cumprida há 92 anos pela Gazeta de Alagoas, o mais longevo impresso do estado.

    Mesmo modernizando-se e acompanhando todos os avanços tecnológicos ao longo de quase um século, a Gazeta manteve sua natureza de informar de maneira responsável. Hoje, alia o inovador ao tradicional e a automação ao trabalho manual, reforçando diariamente, a cada nova edição que chega às mãos dos leitores, que o bom jornalismo se atualiza e acompanha as novidades tecnológicas, mas mantém sua essência.

    Para o professor do curso de Jornalismo e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Vitor Braga, o desafio atual é fazer jornalismo de qualidade em um ambiente em que a distribuição e o consumo de informação são guiados por plataformas. “Isso exige inovação, mas também um reforço do que é uma central de jornalismo, focada na apuração, na checagem e na responsabilidade social”, afirma.

    Ele pontua que, no contexto contemporâneo, a comunicação vive um cenário de disputa pela atenção, e isso tem relação direta com a mediação das plataformas. “Os algoritmos não são neutros e tendem a priorizar o que gera engajamento rápido, e isso, muitas vezes, acelera a desinformação e dificulta que conteúdos jornalísticos mais contextualizados alcancem o público. O veículo de comunicação hoje disputa com um influenciador, que não tem nenhum compromisso com a ética jornalística que um veículo sério tem. Isso impõe um desafio duplo: manter a relevância e, ao mesmo tempo, sustentar a credibilidade e o rigor”, diz.

    Diante dos entraves atuais, o editor-geral da Gazeta de Alagoas, Claudemir Araújo, afirma que acompanhar os avanços tecnológicos sempre foi uma das preocupações da Organização Arnon de Mello (OAM) desde o início de seu funcionamento por meio da Gazeta de Alagoas. A impressão em offset, o uso de cores e a informatização na década de 1990 são exemplos disso. Hoje, esse compromisso vai além.

    “A Gazeta sempre investiu em novas tecnologias e isso vai continuar acontecendo. Muitas coisas virão. Recentemente, passamos a utilizar a inteligência artificial, por exemplo, para revisar textos, decupar, organizar dados. E os próximos anos serão de muita modernidade, e a Gazeta não vai ficar atrás”, afirma o editor-geral.

    "Nosso trabalho também está centralizado, principalmente em ano eleitoral, com a verdade dos fatos, com a verificação. Hoje, trabalhamos junto a profissionais da tecnologia para apurar melhor, verificar vídeos, áudios e informações com ainda mais precisão. Atualmente, um dos grande desafios do jornalismo é justamente esse vídeos feitos por inteligência artificial, áudios que induzem ao erro e a fabricação de fake news como estratégia eleitoral", aponta o editor.

    A função do ombudsman

    A Gazeta de Alagoas é um veículo que sempre esteve à frente do seu tempo, apostando no novo, mas mantendo o foco no que verdadeiramente importa: as pessoas que estão diante das páginas — digitais ou impressas — e da notícia. É o impresso do Nordeste pioneiro na implantação da função de ombudsman — profissional que atua dentro da redação com o papel de se posicionar como leitor, apontando erros, acertos e expectativas diante de cada edição. Essa função foi inicialmente exercida pelo jornalista Dênis Agra (in memoriam).

    “No Brasil, o pioneirismo veio com a Folha de S. Paulo, mas o que ocorreu em Alagoas foi um fato marcante no universo do jornalismo, com repercussão nacional. O País estava em pleno processo de consolidação democrática, porque a Constituição de 1988 era muito recente, com seu capítulo sobre a comunicação social ainda sendo assimilado pelas instituições”, afirma o jornalista e ex-secretário de Estado da Comunicação, Joaldo Cavalcante, que também desempenhou o papel de ombudsman da Gazeta de Alagoas.

    Ele relata que, na função, buscou manter o conceito estabelecido por Dênis Agra, que se afastou por questões de saúde, examinando as principais matérias veiculadas pelo jornal e fazendo observações acerca de eventuais fragilidades na cobertura. “Logo, os leitores perceberam a existência de espaço, e assim foi criada uma cultura própria de ouvidoria, com observações procedentes e até sugestões de pautas, que a gente repassava para a editoria”, relata Joaldo.

    Para ele, o antídoto contra a desinformação, a mentira e o fluxo massivo de fake news depende da exata proporção de disseminação do fato real e do engajamento social. “Neste momento em que celebramos mais um aniversário de um veículo histórico em Alagoas, devemos reiterar a defesa do jornalismo e sua importância social. Jornalismo é apuração, e os profissionais possuem a missão ética de atuar com máxima liberdade, combinada com a máxima responsabilidade, sempre defendida pelo saudoso jornalista alagoano Audálio Dantas”, destaca.

    O jornal mais longevo de Alagoas já está em contagem regressiva para o centenário, mantendo a mesma essência de 92 anos atrás, quando tudo começou. “A Gazeta continuará existindo ao longo dos próximos anos, não tenho dúvida. É um veículo que vai sempre estar na proa, sempre oferecendo ao leitor o melhor do jornalismo, um jornalismo de verdade e feito da melhor maneira possível”, conclui Claudemir Araújo.

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