GAZETA 92 ANOS
Nunes: nas páginas da Gazeta, o chargista mais popular de AL
Veículo apostou no talento do artista para dar visibilidade às questões do povo
Ao longo de seus 92 anos, a Gazeta de Alagoas registrou diversos pioneirismos. Quando não foi o primeiro veículo a lançar uma proposta, destacou-se por abordagens próprias, elevando editorias clássicas a outro patamar. Foi o que ocorreu com as seções literárias e culturais, criadas antes da chegada do jornal ao Estado, mas que, em suas páginas, alcançaram projeção superior à da concorrência. Nas charges, essa marca foi ainda mais evidente, ao transformar o jornalista-desenhista em referência de amplo prestígio popular — falo de Nunes Lima.
Ilustrações e charges integram a história da imprensa alagoana desde os primórdios, inclusive em periódicos de humor como O Bacurau, que, por economia e provocação, utilizava com frequência a repetição de um mesmo desenho para representar pessoas distintas. Na transição dos anos 1950 para 1960, Carivaldo Brandão era o chargista de maior notoriedade no estado, embora suas produções não fossem frequentes. Parte de sua visibilidade vinha da exposição dos trabalhos na vitrine da loja A Brasileira, vizinha ao Cine São Luiz. A partir de 1965, a Gazeta passou a publicar charges em espaços praticamente permanentes. O responsável era Nunes Lima, então com 31 anos e recém-chegado de Paulo Jacinto. Ali se iniciava a trajetória do chargista que se tornaria o mais popular da história da imprensa alagoana.
Nunes dialogava com a linha de Carlos Estêvão (1921-1972), desenhista mineiro que, a partir de 1961, assumiu o personagem O Amigo da Onça após a morte de Péricles Maranhão (1924-1961). Desenvolveu, porém, estilo próprio, ampliando a visibilidade de temas ligados às camadas populares mais desassistidas, em contraste com a perspectiva predominante entre chargistas voltados à classe média. Como resultado, suas charges passaram a ocupar espaços fora do jornal, fixadas em espelhos de barbearias, vitrines de bares e na parte interna de para-brisas de ônibus e lotações.
Manoel Nunes Lima morreu em Maceió em 4 de julho de 2011, aos 80 anos. Com a saúde fragilizada, perdeu gradualmente a capacidade de exercer suas atividades. Após se afastar da redação por aposentadoria, atendeu a convite de Fernando Collor e voltou a enviar trabalhos dominicais para a Gazeta. Com o avanço das limitações físicas, deixou de produzir novas peças.