MANIFESTAÇÕES
França decreta toque de recolher após protestos em 4 cidades
Na capital, os moradores das áreas afetadas não poderão circular entre as 23h e as 6h, nem participar de manifestações
Ao menos quatro cidades do norte da França decretaram toque de recolher até esta terça-feira (20), enquanto bairros de Paris tiveram a circulação e as manifestações restritas em meio à onda de violência no país. O Museu do Louvre também fechou nessa segunda-feira (19), após um bloqueio promovido por estudantes.
Na capital francesa, os moradores das áreas afetadas não poderão circular entre 23h e 6h, nem participar de manifestações entre 20h e 6h. Entre os locais abrangidos está a Praça da República, um dos pontos de encontro centrais dos atos.
Com a escalada da tensão no país desde o fim de semana, o governo do primeiro-ministro Sébastien Lecornu anunciou as medidas para conter a onda de violência. Nas cidades de Lille, Douai, Wattignies e Denain, o toque de recolher valerá para menores de idade das 20h às 6h, segundo o gabinete do premiê.
Mais de 500 mil pessoas foram às ruas no fim de semana contra a alta do custo de vida e a deterioração dos serviços públicos; saques e incêndios se espalharam por diversas cidades francesas. Um manifestante morreu, quase mil agentes de segurança ficaram feridos e cerca de 2 400 pessoas foram detidas.
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"Pedi aos prefeitos que decretassem vários toques de recolher nesta noite", disse Lecornu, que está sob pressão para pôr fim aos confrontos.
O premiê descartou, por ora, decretar estado de emergência, como pediu Bruno Retailleau, líder do partido conservador Os Republicanos, mas não afastou a possibilidade de implementar a medida caso seja necessário.
"Estou absolutamente determinado a restabelecer a ordem", acrescentou Lecornu. "O estado de emergência continua sendo uma medida muito séria, inclusive em termos de sua implementação. Portanto, se for necessário, é claro que poderemos adotá-lo."
Segundo Lecornu, os toques de recolher são uma resposta mais adequada à situação atual.
A União Europeia afirmou que o direito ao protesto pacífico "deve ser protegido" na França, ao mesmo tempo que condenou como "inaceitáveis" os incêndios, saques e ataques ocorridos durante o fim de semana.