ALIMENTAÇÃO
Bares e restaurantes evitam repassar alta de preços a clientes, diz pesquisa
Os custos dos insumos, da mão de obra, dos impostos e dos encargos estão entre os fatores que pressionam as despesas
Manter os preços dos cardápios sem comprometer o equilíbrio financeiro é um dos principais desafios enfrentados por bares e restaurantes diante da alta dos custos operacionais. Para evitar que os reajustes afastem os clientes, estabelecimentos em Alagoas buscam alternativas para equilibrar as contas e manter o movimento.
Em setembro, a alimentação fora do domicílio subiu 0,48%, abaixo da inflação oficial do país, de 0,82%, e da alta de 0,96% registrada pela alimentação consumida em casa. Os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam que os preços das refeições e de outros produtos consumidos fora de casa avançaram em ritmo inferior ao de outros indicadores relacionados à alimentação.
Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), os custos dos insumos, da mão de obra, dos impostos e dos encargos estão entre os fatores que pressionam as despesas dos estabelecimentos.
Para Marcus Batalha, presidente da Abrasel em Alagoas, a dificuldade de repassar integralmente os aumentos aos consumidores leva os empresários a conter os reajustes dos cardápios. “Para que o cliente continue frequentando os estabelecimentos e não tenha um aumento expressivo do cardápio, essas empresas seguram esse reajuste”, afirma.
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A pressão sobre as contas do setor também aparece em uma pesquisa nacional da Abrasel, divulgada em setembro. De acordo com o levantamento, 38% dos estabelecimentos não conseguiram reajustar os preços entre setembro de 2025 e agosto de 2026.
A decisão de manter os preços também depende da estrutura de cada negócio, do volume de vendas e da evolução dos custos. Quando as despesas aumentam e o cardápio permanece com os mesmos valores, a rentabilidade pode diminuir, caso o estabelecimento não consiga compensar a diferença com maior volume de vendas ou ganhos de eficiência.
A contenção dos reajustes ajuda a explicar o comportamento dos preços da alimentação fora do domicílio em setembro. Enquanto o grupo Alimentação e bebidas, que inclui produtos utilizados como insumos por bares e restaurantes, registrou alta de 0,83% no mês, a refeição subiu 0,49%.
No acumulado de 2026, a refeição registra aumento de 4,01%, abaixo da variação de 4,44% da alimentação consumida em casa e de 4,37% do grupo Alimentação e bebidas. Apesar da alta mais moderada, os preços continuam avançando. Entre os nove itens da alimentação fora do domicílio acompanhados pelo IPCA, o cafezinho apresentou a maior variação em setembro, com aumento de 2,57%. O produto acumula alta de 8,26% em 2026 e de 9,76% nos últimos 12 meses.