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TAXA BÁSICA

BC corta Selic em 0,25 ponto pela terceira vez, para 14,25% ao ano

Copom avança em flexibilização de juros apesar do cenário mais desafiador para inflação

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Decisão do colegiado do BC foi tomada de forma unânime
Decisão do colegiado do BC foi tomada de forma unânime | Foto: — Divulgação

O Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu nessa quarta-feira (17) a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual pela terceira vez seguida, de 14,5% para 14,25% ao ano, apesar do cenário mais desafiador para a inflação.

A decisão do colegiado do Banco Central foi tomada de forma unânime pelo presidente Gabriel Galípolo e por mais seis diretores do colegiado, que está com dois desfalques. Das oito reuniões do ano, quatro já foram realizadas com quórum reduzido. O próximo encontro está previsto para 4 e 5 de agosto.

No comunicado, o comitê afirmou que a magnitude total do ciclo de queda de juros "será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta."

O comitê iniciou o processo de flexibilização de juros em março, quando a Selic estava em 15% ao ano. Desde então, foram dois cortes na mesma dose, de 0,25 ponto percentual. Em abril, o Copom indicou que pretendia continuar o ciclo de "calibração" da taxa básica, mas evitou se comprometer antecipadamente com o ritmo e a extensão dos ajustes.

Para essa quarta, a expectativa majoritária do mercado financeiro era de outra redução de 0,25 ponto na Selic, a 14,25% ao ano. Das 34 instituições consultadas pela agência Bloomberg, somente três apostavam na manutenção de juros no patamar de 14,5% ao ano.

A diferença entre os juros dos Estados Unidos e do Brasil está em 10,5 pontos percentuais. Mais cedo, o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) decidiu manter os juros na faixa entre 3,5% e 3,75% na primeira reunião liderada por Kevin Warsh, mesmo com a pressão do presidente Donald Trump por uma drástica redução da taxa.

Nos últimos dias, com o acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã para reabrir o estreito de Hormuz, o preço do petróleo chegou a ficar abaixo de US$ 80 pela primeira vez desde março. Apesar da perspectiva mais favorável, o cenário ainda é de instabilidade. Segundo Trump, os bombardeios no Oriente Médio podem ser retomados.

Além das tensões no campo geopolítico, as últimas semanas foram marcadas por forte estresse nos juros futuros e por piora nas expectativas de inflação.

No cenário de referência do Copom, a estimativa de inflação para este ano subiu de 4,6% para 5,2%. Para 2027, a projeção subiu de 3,5% para 3,7%. Devido aos efeitos defasados da política de juros sobre a economia, o comitê tem a inflação do ano que vem na mira.

A meta central do BC é 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. No atual modelo, de avaliação contínua, o objetivo é considerado descumprido quando a inflação acumulada permanece durante seis meses seguidos fora deste intervalo, que vai de 1,5% (piso) a 4,5% (teto).

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