Desenvolvimento
Norte de Alagoas cresce em ritmo chinês
Entre 2015 e 2023, os indicadores econômicos da região avançaram em ritmo muito acima da média estadual
Em uma década, a região Norte – especialmente o litoral de Alagoas – multiplicou turismo, arrecadação e empregos a uma velocidade que economistas só costumam associar às economias asiáticas em expansão acelerada. O comparativo com a China não é força de expressão. Entre 2015 e 2023, os indicadores econômicos da região avançaram em ritmo muito acima da média estadual, impulsionados por uma combinação entre investimento público pesado em infraestrutura e a chegada de capital privado, que transformou de vez a faixa litorânea entre Paripueira e Maragogi.
Os números explicam a transformação. Segundo dados da Secretaria de Estado do Planejamento, Gestão e Patrimônio de Alagoas (Seplag), entre 2015 e 2023, o Valor Adicionado Bruto (VAB) do turismo na região saltou 525%, passando de R$ 106,5 milhões para R$ 559,9 milhões. No mesmo período, o Produto Interno Bruto (PIB) das oito principais cidades do litoral avançou 90,3%, mais de quatro vezes a média estadual, que foi de 20,3%.
Esse desempenho é resultado de uma decisão política tomada ainda na gestão do ex-governador Renan Filho (2015–2022) e aprofundada pelo governador Paulo Dantas, que apostaram no turismo como vetor estruturante do desenvolvimento regional.
“Até 2014, muita gente não acreditava que o litoral Norte pudesse virar um polo de desenvolvimento. O Governo de Alagoas passou a apostar em estrada, em saneamento e em segurança porque sabíamos que, sem infraestrutura, não existe turismo que se sustente. O que se vê hoje é a colheita de uma decisão tomada há dez anos”, afirmou o governador Paulo Dantas.
O turismo deixou de ser promessa para se tornar a espinha dorsal da economia regional. Em 2015, o VAB do turismo per capita do litoral Norte era praticamente igual ao da média estadual: R$ 443,60 contra R$ 443,67. Em 2023, esse indicador alcançou R$ 2.500,81, quase o dobro da média de Alagoas, que ficou em R$ 1.298,28. A participação da região no VAB turístico estadual praticamente dobrou, saindo de 7,19% para 13,79%, com pico de 15,36% em 2021, justamente no período da retomada pós-pandemia, quando a região cresceu impressionantes 119,2%, contra 18,36% do restante do estado.
UNIDADES HABITACIONAIS
O salto se materializou no concreto. Só entre 2021 e 2026, o número de unidades habitacionais cresceu 96%, passando de 3.222 para 6.317, enquanto os leitos avançaram 91%, saltando de 8.408 para 16.076. Levantamento da Secretaria de Estado do Turismo (Setur) mostra que foram instaladas 20 pousadas premium, seis beach clubs e cerca de 50 restaurantes, sendo 23 apenas em Maragogi. A chegada da rede Vila Galé, em Barra de Santo Antônio, com mais de 500 apartamentos, foi um divisor de águas e ajudou a ampliar a malha de voos fretados. Hoje, Alagoas é o estado que mais recebe fretamentos no Nordeste durante a alta temporada.
A demanda transbordou para o mercado imobiliário. Na Rota dos Milagres, surgiram mais de 30 condomínios e cerca de 2 mil apartamentos e studios, com valorização superior a 400%. No transporte aéreo, o Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares fechou 2025 com o maior volume da história: 1,45 milhão de passageiros, alta de 10,3% sobre 2024 e expansão acumulada de 410% desde o ano 2000, apontam dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).