loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
sábado, 02/05/2026 | Ano | Nº 6215
Maceió, AL
30° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Economia

CONFLITO

Trump indica que seguirá com guerra sem aval do Congresso

Presidente americano teria até essa sexta-feira (1º) para interromper a guerra

Ouvir
Compartilhar
Presidente dos EUA, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca
Presidente dos EUA, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca | Foto: Divulgação

O governo de Donald Trump sinalizou de forma contundente que pretende manter as operações militares no Oriente Médio, ignorando o prazo legal que se encerrou nesta sexta-feira (1º).

De acordo com a legislação dos Estados Unidos, o presidente é obrigado a interromper hostilidades ou obter autorização formal do Congresso para prosseguir com conflitos após 60 dias de intervenção.

No entanto, a Casa Branca indicou que não buscará o aval legislativo e que mantém em aberto a possibilidade de novos ataques contra o Irã, visando forçar Teerã a uma mesa de negociações.

A estratégia de Washington baseia-se em uma interpretação técnica para contornar a Lei de Poderes de Guerra de 1973.

Embora a Constituição americana reserve ao Congresso o poder exclusivo de declarar guerra, a norma permite ações emergenciais limitadas por dois meses.

Como o conflito atual teve início em 28 de fevereiro, o prazo expiraria ontem, mas o secretário de Defesa, Pete Hegseth, argumentou que o cessar-fogo em vigor desde 7 de abril suspendeu a contagem do "relógio dos 60 dias".

Segundo o governo, como não houve trocas de tiros diretas com as forças iranianas desde então, as hostilidades originais seriam consideradas encerradas, o que desobrigaria a Casa Branca de uma consulta imediata aos parlamentares.

Enquanto o impasse jurídico se desenrola em Washington, a tensão no Golfo Pérsico atingiu novos picos.

Na noite de quinta-feira (30), Teerã foi forçada a ativar seus sistemas de defesa antiaérea contra drones e aeronaves de origem não identificada, operação que durou cerca de 20 minutos antes do retorno à normalidade.

O regime iraniano, através do presidente Massoud Pezeshkian, classificou o bloqueio naval americano como uma extensão direta das operações militares e prometeu uma reação "dolorosa e prolongada".

O líder supremo, Mojtaba Khamenei, chegou a declarar que os Estados Unidos sofreram uma "derrota vergonhosa", apesar do estrangulamento econômico que o país enfrenta.

Os reflexos desse prolongamento do conflito sem uma saída diplomática clara já abalam a economia global.

O duplo bloqueio no Estreito de Ormuz — iniciado pelo Irã e respondido pelos EUA com o cerco aos portos iranianos — interrompeu o fluxo de um quinto dos hidrocarbonetos do planeta.

O resultado foi a disparada do petróleo Brent, que atingiu US$ 126 por barril, maior patamar desde a invasão da Ucrânia em 2022.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou para o risco de colapso econômico mundial e defendeu o diálogo urgente, uma vez que as negociações de paz iniciadas em Islamabad parecem estagnadas.

Paralelamente, a frente libanesa do conflito continua a registrar baixas severas. Ataques israelenses no sul do Líbano contra o Hezbollah deixaram 17 mortos apenas na quinta-feira, elevando o balanço total para mais de 2.500 mortos e um milhão de deslocados desde março.

Em meio ao caos, a diplomacia americana pressiona por uma reorganização política em Beirute, sugerindo que o país está em um "ponto de inflexão" para retomar sua autonomia.

Contudo, a postura irredutível de Trump em relação ao Irã e a manutenção do bloqueio por tempo indeterminado indicam que a guerra está longe de um desfecho, mesmo sem o respaldo formal do Poder Legislativo americano.

ESTREITO FECHADO

Dois meses após o início da guerra contra o Irã, permanece fechado o estreito por onde passava um quinto do petróleo comercializado no mundo. O impacto nos mercados globais é significativo.

Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, o preço do petróleo Brent, referência mundial, mais do que dobrou, fato que pressiona a inflação e aumenta os preços dos combustíveis em vários países do mundo.

Nesse contexto, o presidente Donald Trump deverá receber relatório sobre possíveis novos ataques contra o Irã, no que seriam tentativas de pressionar o regime a adotar posição mais flexível nas negociações. O plano foi preparado pelo Comando Central dos EUA e prevê uma onda de ataques "curta e poderosa", provavelmente incluindo alvos de infraestrutura, segundo o site Axios.

Relacionadas