CONSUMO
Serasa: 47,15% da população alagoana está inadimplente
Estudo da Serasa mostra também que em março, 82,8 milhões de brasileiros não cumpriram com uma obrigação financeira
Levantamento divulgado pela Serasa divulgado na segunda-feira (27) revela que 47,15% da população adulta de Alagoas encerraram o primeiro trimestre deste ano inadimplentes.
De acordo com estudo, o índice de Alagoas é o quarto maior do Nordeste. Na comparação regional, o Ceará aparece com a população mais inadimplente, com 53,27%. Em seguida aparecem o Rio Grande do Norte (51,33%) e Pernambuco (50,81%). Os consumidores da Paraíba são os menos inadimplentes, com 44,04%.
Em nível nacional, o Amapá lidera o mapa da inadimplência, com 65,1% da população adulta nessa condição. Em seguida aparecem o Distrito Federal (62,77%), Amazonas (60,10%) e Mato Grosso do Sul (59,55%) . Na outra ponta, Santa Catarina é o estado menos inadimplente do Brasil, com 40,46%.
O estudo da Serasa mostra também que em março, 82,8 milhões de brasileiros não cumpriram com uma obrigação financeira no prazo determinado. Ou seja, deixou de pagar uma conta, boleto ou parcela na data do vencimento.
Juntos, esses consumidores acumulam dívidas de R$ 557 bilhões, o que equivale a um valor médio de R$ 6,72 mil por pessoa.
O cartão de crédito segue como o vilão da inadimplência, com 27,3% do total. Em seguida aparecem as contas básicas - como água, luz e gás -, com 21%, financeiras (20,2%) e serviços (11,5%).
A Serasa aponta que do total de consumidores que não honraram seus compromissos financeiros em março, 50,6% são mulheres e outros 49,4%, homens. A faixa etária entre 41 e 60 anos são os mais comprometidos, com 35,5%. Em seguida aparece os consumidores entre 26 e 40 anos (33,5%), os acima de 60 anos (19,8%) e os jovens entre 18 e 25 anos (11,2%).
CAUSA E EFEITO
Estudo divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) revela que a inadimplência do consumidor brasileiro tem como uma das consequências os gastos com plataformas eletrônicas de jogos.
O dito “entretenimento” comprometeu a disponibilidade de renda para manter o pagamento em dia das dívidas e podem ter levado 270 mil famílias a situação de “inadimplência severa” – incapacidade de pagar marcada por atrasos de 90 dias ou mais.
A confederação avalia que inadimplência decorrente de gastos com as bets tem impacto sobre o consumo e nas vendas do comércio varejista. De acordo com o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, “a tendência” é que em situação de aperto financeiro das famílias gastos não essenciais e até essenciais sejam “sacrificados”.
“Podem deixar de trocar de celular ou podem deixar de comprar uma peça de vestuário por causa de agravamento da sua dívida”, exemplifica Bentes, que apresentou análise econométrica (estatística e matemática) em dados apurados pela própria CNC e colhidos do Banco Central.
Conforme a avaliação da confederação, os impactos das bets sobre o endividamento – que interfere na capacidade de consumo – é variável conforme o grupo demográfico. “Homens, famílias de baixa renda [até 5 salários mínimos], pessoas mais velhas (35+ anos) e aquelas com maior escolaridade (2º grau+) apresentam maior vulnerabilidade aos efeitos das apostas.”
Os gastos com as apostas em plataformas eletrônicas podem até afligir famílias com renda superior, que segundo a CNC, “desviam recursos para as bets e deixam de honrar compromissos”, o que acarreta em atrasos e também em inadimplência.
“As bets afetam principalmente as famílias mais vulneráveis, aumentando seu endividamento global, enquanto para os mais ricos funcionam como substituto de outras formas de endividamento, embora também gerem inadimplência”, ressalta a entidade.
De acordo com a CNC, oito em cada vez famílias (80,4¨%) estão endividadas no Brasil. O indicador é próximo aos 78% verificado no final de 2022. Entre 2019 e aquele ano, a proporção de famílias endividadas cresceu quase 20 pontos percentuais.