CONFLITO
Petróleo volta a ultrapassar US$ 100 após prorrogação de cessar-fogo
Situação colocou mercado financeiro em compasso de espera e as Bolsas da Europa caíram nessa quarta
O preço do petróleo voltou a superar US$ 100 nessa quarta-feira (22). Na máxima do dia, às 13h45 (horário de Brasília), o barril Brent, referência mundial, atingiu US$ 102,11 – o maior valor desde o dia 6 de abril.
Às 17h, o contrato de junho do Brent continuava em alta, subindo 3% a US$ 101,43. A commodity começou a sessão na casa de US$ 98, chegou a recuar durante a madrugada, mas entrou na casa dos três dígitos às 5h30.
Na terça, o contrato de junho também chegou a ultrapassar US$ 100, mas terminou o dia a US$ 99,06, depois que os EUA anunciaram uma nova prorrogação do cessar-fogo com o Irã que agora tem prazo indefinido, pois depende da apresentação de uma proposta do regime iraniano.
O petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, estava cotado a US$ 92,55, alta de 3,20%, às 17h.
O presidente dos EUA, Donald Trump, também anunciou que manteve o bloqueio norte-americano no estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás. Por sua vez, a Guarda Revolucionária do Irã divulgou nesta quarta que impediu dois navios que tentavam usar a rota.
"Os dois navios infratores (...) foram apreendidos pelo CGRI e conduzidos para a costa iraniana", informou as autoridades iranianos. Uma das embarcações pertenceria ao "regime sionista", segundo a Guarda Revolucionária, o que seria uma referência a Israel.
O Irã vem impedindo o tráfego em Hormuz desde o começo do conflito em 28 de fevereiro, limitando-o apenas a embarcações autorizadas pelo regime. Empresas de transporte marítimo dizem que o tráfego em Hormuz caiu 95%. Antes da guerra, a média de 140 embarcações passando pelo local diariamente.
"O processo de paz parece instável novamente, à medida que algumas das difíceis realidades da guerra vêm à tona", disse Kyle Rodda, analista sênior de mercados financeiros da Capital.com.
"O risco é que a dinâmica política interna do Irã e as tensões estratégicas entre os EUA e o Irã – sem mencionar Israel – mantenham uma inércia em direção à escalada", completou Rodda.