DEBATE
Summit aponta desafios para o crescimento sustentável de Alagoas
Evento reúne governo, indústria e especialistas para traçar diagnóstico e debater futuro econômico do Estado
Com R$ 4,63 bilhões já em execução no Plano Mais Produção — instrumento de financiamento da Nova Indústria Brasil (NIB) —, Alagoas entrou no centro do debate sobre o desenvolvimento econômico nacional. O dado foi destaque no Gazeta Summit Alagoas 2050 – Indústria, Comércio e Serviços: diagnóstico do presente e apostas de futuro, realizado nessa segunda-feira (2), no Centro de Inovação do Jaraguá, em Maceió.
Representantes dos governos federal e estadual, do setor produtivo e da academia discutiram como elevar o crescimento potencial do Brasil — estimado em 1,8% neste ano — diante de juros de 15,2%, do Custo Brasil e da necessidade de integrar inovação, sustentabilidade e competitividade. O consenso: sem planejamento de longo prazo e políticas estruturantes de Estado, o país não sustentará um ciclo consistente de expansão até 2050.
Promovido pela Gazeta de Alagoas, com apoio do Governo do Estado e da Assembleia Legislativa (ALE), o evento propôs uma leitura estratégica do presente e projeções para o futuro. A conclusão foi clara: Alagoas possui vocações consolidadas e ativos estratégicos, mas o avanço dependerá de estabilidade fiscal, redução dos juros, inovação tecnológica e articulação entre poder público, iniciativa privada e academia.
No primeiro painel, mediado por Gustavo Uribe, o secretário-adjunto do MDIC, Luís Felipe Giesteira, apresentou a NIB como política estruturada em seis missões estratégicas, que vão da agroindústria sustentável à soberania tecnológica na defesa. A meta é alcançar 55% de domínio de tecnologias críticas até 2026 e 75% até 2033.
Giesteira destacou ainda o Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI) e defendeu o adensamento das cadeias produtivas para ampliar valor agregado e reduzir dependência externa. Avaliou que o acordo Mercosul–União Europeia traz oportunidades para a agricultura e desafios de adaptação à indústria, além de potencial na bioeconomia e nos minerais estratégicos. A Reforma Tributária, segundo ele, poderá elevar o PIB em até 8% no longo prazo.
Representando a CNI, Mário Sérgio Carraro Teles alertou para o crescimento projetado de 1,8% e defendeu três frentes para ampliar o potencial econômico: qualificação do capital humano, aumento do investimento produtivo e ganhos de produtividade. Ressaltou que juros elevados e desequilíbrio fiscal limitam o crédito e a competitividade.
O evento marcou ainda o lançamento do Mapa Estratégico da Indústria de Alagoas 2025-2032, apresentado por Reynaldo Rubem Ferreira Júnior e Júlio Zorzal, da FIEA. O documento identifica gargalos e define prioridades como o setor químico-plástico, construção civil, turismo e bioeconomia.
Entre os vetores estruturantes estão governança integrada, infraestrutura física e tecnológica e capacitação educacional. A partir de 2026, a agenda industrial priorizará baixo carbono, economia circular e descarbonização. Atualmente, Alagoas ocupa a 22ª posição nacional e a 8ª no Nordeste em inovação.
No encerramento, a secretária de Estado do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Alice Beltrão, apresentou programas estaduais de incentivo, como o Prodesin e o Cresce Alagoas, que preveem diferimento de 92% do ICMS para empresas do Simples Nacional que adquiram produtos de atacadistas locais. Ela anunciou ainda a elaboração de um novo mapa da matriz energética estadual para orientar futuros investimentos.