INVESTIGAÇÃO
Cruzamento de datas liga ida de Vorcaro ao BC a acesso a processo sigiloso
O Senado tem que tomar vergonha na cara”
PODER SEM PUDOR: Gazeteiros históricos
Não é de hoje a falta de disposição dos deputados para o trabalho. Campos Salles, que presidiu o Brasil entre 1898 e 1902, enviou uma carta ao então presidente da Câmara, deputado Xavier da Silveira, na qual solicita sua “intervenção” para “obter o comparecimento dos deputados à sessão da Câmara”. Campos Salles se queixa, em sua carta de 8 de abril de 1901, de que “até hoje não temos um Orçamento sequer votado pela Câmara”. E adverte: “Nada pode ser mais grave do que isto”. Vai mais além: “É preciso não só que (os deputados) compareçam, mas que permaneçam durante a sessão, pois a praga é: entrar por uma porta e sair pela outra”.
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Vorcaro esteve no BC após obter processo sigiloso
Cruzamento de datas revela que Daniel Vorcaro esteve com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, dias após receber cópia do processo sigiloso que investigava suposto pagamento de propina do banqueiro a Paulo Henrique Costa (ex-BRB). A decisão do Supremo Tribunal Federal que mandou prender Costa indica que Vorcaro recebeu o processo em 24/06/2025. Uma semana depois, em 02/07, às 08h46, o dono do Master entrou no BC e ficou até 10h09, sendo recebido por Galípolo.
Brasília fervia
O procedimento foi autuado pelo MPF em 30/04/2025, mês em que Vorcaro esteve por duas vezes na sede do Bacen, em Brasília.
Suspende tudo
Em 10/05/2025, Vorcaro mandou Daniel Monteiro, operador do dono do Master, travar os pagamentos, que totalizariam R$ 146,5 milhões.
Curioso destino
Dois dias antes da suspensão do esquema, Vorcaro esteve novamente no BC. Entrou às 17h47, passou mais de uma hora e saiu às 19h06.
No rastro
No encontro de 8 de maio, Vorcaro esteve novamente em reunião com Galípolo. A coluna cruzou as datas com registros da portaria do BC.
RJ: eleição direta custaria mais de R$ 100 milhões
Ao votar contra a eleição direta – com votos da população – para o mandato tampão de governador do Rio de Janeiro, que vai apenas até dezembro, o ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux revelou que os custos seriam de R$ 100 milhões. Mas o valor deve ser ainda maior. Em 2022, pagadores de impostos bancaram R$ 1,33 bilhão para votar em presidente, governador, senador e deputados, sem considerar o custo de novas urnas. Eleitores fluminenses respondem por 8,1% desse total.
Esperar é preciso
Procurado, o Tribunal Superior Eleitoral diz não ter estimativa de custos: “É necessário aguardar o resultado do julgamento do caso pelo STF”.
Tem mais
Além do julgamento no STF, o TSE diz que, para saber os custos, é preciso resolução do TRE do Rio que vai regulamentar a eventual eleição direta.
Vai ser maior
Mantido o custo por eleitor de 2022, que deve crescer, só o aumento do eleitorado representaria R$ 1,5 milhão a mais em despesas este ano.
Nada a ver?
No dia seguinte à abertura de inquérito no STF contra Flávio Bolsonaro (PL), por suposta calúnia contra Lula (PT), o petista voltou a liderar as chances de vencer em 2026: 40% a 39% na plataforma de previsões e apostas Polymarket.
Ladeira abaixo
“Expõe a deterioração alarmante dos padrões de decoro e responsabilidade”, é assim que a Transparência Internacional classificou o “discurso de ódio” de Gilmar Mendes (STF) contra o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), por voto na CPI do Crime Organizado.
Sem resposta
“Onde está a imunidade parlamentar? Onde está a liberdade de expressão?”, questionou Flávio Bolsonaro (PL), no plenário do Senado, após virar alvo de inquérito no STF por suposta calúnia contra Lula.
Primeiro ato
Pré-candidato a presidente, Romeu Zema (Novo) disse que, se eleito, a primeira medida será um novo STF, com idade mínima de 60 anos e mandatos de 15 anos para ministros. “Será a coroação da carreira”, diz.
Agenda cancelada
Eventos do PL Mulher do RJ, previstos para hoje (17) e amanhã, foram cancelados. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro vai priorizar a saúde do marido Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar, em Brasília.
Pinóquio
Coronel Crisóstomo (PL-RO) não deixou passar o mico da PF, que dizia que a prisão de Alexandre Ramagem foi “cooperação policial” entre os dois países, pura lorota. “Lula mentiu mais uma vez”, concluiu o deputado.
Bolsonaro na telona
Teve pré-estreia do filme “A Colisão dos Destinos”, em Brasília. A película vai falar sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O documentário será lançado nos cinemas brasileiros em 14 de maio.
Princípio fundamental
Sem citar o inquérito no STF contra Flávio Bolsonaro por “calúnia” contra Lula, o ex-deputado Roberto Freire defendeu manter conflitos de honra na esfera privada: “essencial para impedir que o Estado ultrapasse limites e se transforme em instrumento contra a própria democracia”, disse.
Pensando bem…
…a “cooperação internacional” não cooperou.