BASTIDORES DE BRASÍLIA
Articulação com Alcolumbre reduz resistência e favorece Jorge Messias para o STF
Não é só cabeça grande”
PODER SEM PUDOR: Livro de cabeceira
Durante a visita de Lula ao presidente George W. Bush, em Camp David, conversavam sobre um livro a chefe de gabinete do chanceler Celso Amorim, Maria Nazareth Farani de Azevedo, e o secretário de Imprensa, embaixador Ricardo Neiva Tavares, com o chefe de gabinete da Casa Branca, Joshua Bolten, quando Bush chegou.
“Vocês estão sendo bem tratados?”, perguntou, simpático.
“Sim, senhor presidente. E descobrimos aqui que estamos lendo o mesmo livro (A Peace to End All Peaces, sobre a queda do Império Otomano)”, respondeu Lelé, como Maria Nazareth é chamada pelos colegas.
Foi a deixa para o anfitrião entrar na conversa:
“Eu também! Estou na página 86…”
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Tabelas paralelas indicam Messias aprovado ao STF
A movimentação do governo Lula (PT), que diminuiu a resistência de Davi Alcolumbre (União-AP) ao nome de Jorge Messias para uma cadeira de ministro do Supremo Tribunal Federal, alterou os números de tabelas que circulam no Senado com a estimativa de votos para o ainda advogado-geral da União. Na ala governista, otimistas apontam até 52 votos pró-Messias. Na oposição, o clima é de cenário ainda indefinido, mas com o indicado de Lula com ao menos 30 votos garantidos dos 41 necessários.
Tá no salto
Se confirmada a aprovação de Messias, a oposição duvida que o número de votos chegue a 52, como o governo diz ter. Seriam entre 41 e 49 votos.
Repeteco
Há, nos dois lados, a estimativa de um placar semelhante ao de Flávio Dino: 47 votos a favor, 31 contrários e duas abstenções.
Oposição raiz
A avaliação de opositores é que a resistência perdeu força sem o presidente do Senado, mas o AGU deve ter, no mínimo, 25 votos contra.
Centrão
A oposição ainda não desistiu de virar votos contra Jorge Messias e tenta articular com senadores do MDB, PSD e União Brasil.
Eventos lá fora lembram último baile da Ilha Fiscal
Em maio, o ex-tucano João Doria fará, em Nova York, o “Brazil Investment Forum”, mais um, e dias antes o ministro Gilmar Mendes (STF) comanda, em Lisboa, o Fórum Jurídico, batizado ironicamente de “Gilmarpalooza” nas redes. Dois palcos e ambientes atraentes para interesses privados, favorecendo o diálogo com autoridades. No Brasil escandalizado de hoje, os eventos lembram o último baile na Ilha Fiscal, festa espalhafatosa da monarquia para os “nobres” na véspera da Proclamação da República.
Uísque de milhões
No caso mais escandaloso, em Londres, uma degustação de uísque Macallan no London Club custou mais de R$ 6 milhões a Daniel Vorcaro.
Acesso garantido
O “clube do uísque” virou denúncia por mostrar que o banqueiro não foi generoso; a rigor, tentava comprar acesso direto a suas excelências.
Não é normal
Pior foi o “jet set jurídico-empresarial” agir com a naturalidade de quem considera normal banqueiros pagarem a diversão de autoridades.
Menos encrenca
Parlamentares celebraram a ida do deputado José Guimarães (PT-CE) para a articulação política do governo. Quem teve que lidar com a antecessora, Gleisi Hoffmann (PT), garante que não deixou saudade.
Passivo da CPI
Presidida pelo PT, a CPI do Crime Organizado não tinha mesmo muita margem para dar certo. Sem prorrogação autorizada por Davi Alcolumbre (União-AP), o colegiado deixou 110 requerimentos pendentes.
Escala custosa
Estudo divulgado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) mostra o impacto da redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais. No setor, o impacto a longo prazo deve superar R$ 11,8 bilhões.
É hoje
Sem surpresa, o senador Weverton Rocha (PDT-MA), que teve indiciamento pedido no relatório final da CPMI do INSS, apresenta hoje (15) parecer favorável à indicação de Jorge Messias ao Supremo.
Reincidência
Assim como na CPMI do INSS, o governo Lula (PT) agiu de última hora para alterar a composição da CPI do Crime Organizado, antes da votação do relatório que pedia indiciamento de ministros do STF.
Feião
Eduardo Girão (Novo-CE) protestou contra mudanças promovidas pelo governo Lula na composição da CPI do Crime Organizado: “mudar os participantes na última hora, para blindar gente poderosa, fica feio”.
Unidade bilionária
A Petrobras vai retomar as obras da Unidade de Fertilizantes de Três Lagoas (MS), hibernada desde 2015. A conclusão da unidade vai custar cerca de US$ 1 bilhão, com início das operações comerciais previsto para 2029.
Esforço não compensou
Após a Bloomberg comparar Lula (PT) a Joe Biden, que desistiu da reeleição pelo frágil estado de saúde e péssimo resultado em pesquisas, a assessoria internacional petista correu para emplacar matérias no The Guardian e na CNN Internacional para mostrar… Lula malhando.
Pensando bem…
…CPI virou sigla para “como proteger os íntimos”.