Liderança
Falta de pulso de Hugo Motta expõe peso político de Arthur Lira na Câmara

Abaixo de 50kg, pode mentir, agredir e posar de vítima”

Embaixador em Lisboa em 1985, o ex-chanceler Azeredo da Silveira convidou o senador FHC para almoço com diplomatas, no restaurante Mônaco, à beira-mar. Lá pelas tantas, um deles perguntou ao futuro presidente da República:
— É verdade que o senhor vai disputar a prefeitura de São Paulo?
Com um sorriso condescendente, FHC devolveu:
— Ô, meu filho, você acha que eu vou entrar numa fria de disputar uma eleição contra Jânio Quadros?
Entrou. E perdeu.
Caos na Câmara reforça falta que Arthur Lira faz
A falta de talento e até de coragem de Hugo Motta (Rep-PB), durante a obstrução de opositores ao governo, comprovou a falta que faz a liderança de Arthur Lira (PP-AL) no comando da Câmara. Foi Lira quem recebeu líderes no próprio gabinete e pavimentou a desobstrução, permitindo a abertura dos trabalhos. No contato direto, mostrou que conserva o prestígio de sempre entre deputados de todos os lados. Motta não foi capaz de perceber que o protesto era contra ele.
Protesto claro
A prisão de Bolsonaro revoltou os parlamentares, mas o protesto era contra a omissão medrosa dos presidentes da Câmara e do Senado.
Deu trabalho
Mesmo com o esforço de Lira, a situação ainda se estendeu por mais algumas horas. Não foi imediatamente resolvida devido à resistência do PL.
Resposta ao STF
Sóstenes Cavalcante (RJ), líder do PL, insistiu em uma solução que envolvesse também o Senado e uma resposta a Moraes.
Reserva de Lira
Lira tenta não se envolver diretamente e, nessas ocasiões, escala o deputado Dr. Luizinho (PP-RJ), homem de sua confiança e quase nomeado ministro da Saúde.
Nomeações viram pressão contra Alcolumbre
Caçador profissional de cargos no governo federal, quase como pedágio para garantir alguma paz a Lula (PT) no Senado, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), corre o risco de ver adiado o sonho de emplacar mais aliados na presidência de agências reguladoras. Sonha dia e noite com o controle da Aneel (Energia Elétrica), da ANP (Petróleo) e até da ANM (Mineração).
Tem que validar
Para infortúnio de Alcolumbre, todas as nomeações de comando dessas agências precisam passar pela Comissão de Infraestrutura.
PL no comando
Quem preside o colegiado — e, portanto, define o que vai ou não à pauta — é o senador Marcos Rogério (RO), do PL de Jair Bolsonaro.
Só interino
O interesse de Alcolumbre nas agências já desgastou sua relação com o Planalto. Sem acordo, as presidências seguem interinas.
Só piora
Não ajuda a desfazer a imagem de censor a demissão do fotógrafo de 63 anos que apenas fez seu trabalho: registrar o gesto obsceno de Alexandre de Moraes a torcedores que o vaiavam no Itaquerão.
Irrecuperável
Em vez de ligar para Donald Trump e desatar o nó do tarifaço, Lula gasta tempo conspirando com Índia e China — que fazem ouvidos moucos — para escantear os Estados Unidos.
Amigas
A vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), visita nesta sexta (8) sua amiga pessoal e ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Celina não esconde sua admiração pelo casal.
Truculência
Sem controle da situação na Câmara e para debelar a confusão, Hugo Motta deixou a polícia legislativa de sobreaviso para uma remoção forçada dos ocupantes.
Estranho silêncio
A OAB, que não para de passar vergonha, divulgou nota em maio contra “qualquer iniciativa externa de impor sanções a magistrados brasileiros”. Mas silencia desde que a Lei Magnitsky foi aplicada.
Jogada reta
O anúncio de que a gigante Apple vai produzir 19 bilhões de chips nos EUA, com investimento de US$ 600 bilhões, ocorreu um dia após o governo Trump anunciar tarifa de 100% sobre semicondutores estrangeiros.
Cabe tudo
Segundo o perfil especializado World of Statistics, a Constituição brasileira é a terceira mais longa do mundo, com 64.488 palavras — atrás apenas da Índia e da Nigéria. Mas deve ser, de longe, a mais desrespeitada.
E o roubo do INSS?
Ciro Nogueira (PP-PI) chamou atenção para a roubalheira bilionária contra idosos do INSS, agora escanteada pela imprensa amiga. “Que dia vai ser instalada a CPMI?”, cobrou o senador.
Pensando bem…
…“Magnitsky” vai acabar virando verbo.
