MUDANÇAS
Testemunhas de Jeová têm nova orientação sobre uso de sangue
Mais de 9,9 mil fiéis podem decidir sobre utilização de plasma e plaquetas em tratamentos, mas uso total segue proibido
Mais de 9,9 mil Testemunhas de Jeová em Alagoas passaram a contar com uma nova orientação sobre a doação e o recebimento de componentes do sangue em tratamentos médicos. A mudança, anunciada pelo Corpo Governante da religião em 18 de setembro para fiéis de todas as partes do mundo, permite que cada membro decida, de acordo com a própria consciência, se aceita ou recusa plasma, plaquetas, glóbulos vermelhos e glóbulos brancos. “As Testemunhas de Jeová entendem que a Bíblia não comenta especificamente sobre esses componentes. Por isso, cada cristão deve tomar sua própria decisão com base na consciência”, explica Wallace Costa, porta-voz da organização em Alagoas e Sergipe.
Com a atualização, as congregações não participam dessas escolhas individuais. Tanto a opção de aceitar quanto a de recusar os quatro componentes são respeitadas e apoiadas pela instituição. Esses elementos têm diferentes aplicações na medicina: o plasma é utilizado em tratamentos de traumas e algumas doenças; os glóbulos vermelhos podem ser usados em casos de anemia; os glóbulos brancos, no combate a determinadas infecções; e as plaquetas, em diversas terapias, inclusive contra o câncer.
Apesar da flexibilização, a orientação sobre o sangue total permanece inalterada. As Testemunhas de Jeová continuam recusando transfusões do tipo por uma questão religiosa baseada na interpretação de passagens bíblicas, especialmente do “abster-se de sangue”, citado em Atos 15:20. Para os fiéis, o sangue é sagrado. “Trata-se de um ajuste baseado nas Escrituras, não de uma mudança de posição. O entendimento de que o sangue é sagrado permanece o mesmo”, reforça Wallace. A mudança também alcança a doação: cada membro deverá decidir pessoalmente se deseja ou não doar quando o objetivo for fornecer componentes ou frações para utilização por outra pessoa.
A medida ocorre meses depois de outra atualização feita pela organização. Em março, os fiéis passaram a poder decidir individualmente sobre o armazenamento antecipado do próprio sangue para tratamentos futuros. Wallace explica que ambas as diretrizes seguem o mesmo princípio: “O uso do próprio sangue do paciente (autólogo) é uma decisão pessoal. O mesmo raciocínio baseado na consciência individual foi agora estendido aos quatro componentes principais”.
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