EDUCAÇÃO
Escolas de Alagoas se adaptam às regras para uso de IA nas salas de aula
Conselho Nacional de Educação proibiu o uso de inteligência artificial para corrigir redações e atribuir notas
A inteligência artificial pode até ajudar o aluno a pesquisar, organizar ideias e tirar dúvidas, mas tem limites. E quem impôs esses limites foi o Conselho Nacional de Educação (CNE), órgão vinculado ao Ministério da Educação, na última terça-feira (1º). Um deles vale, inclusive, para o professor: na hora de corrigir uma redação e decidir a nota, o lugar continua sendo do mestre. Em Alagoas, a regra já é uma prática tanto na rede municipal de Maceió quanto na rede estadual. Outro limite imposto pelo CNE é a restrição ao acesso direto e sem supervisão, por crianças da educação infantil e dos anos iniciais do ensino fundamental (até o 5º ano), às ferramentas de inteligência artificial.
A Secretaria Municipal de Educação de Maceió (Semed) informou que mantém um Grupo de Trabalho responsável pela construção do Plano de Educação Digital da Rede Municipal de Maceió. A proposta deverá orientar ações nessa área, além do uso pedagógico das ferramentas e do desenvolvimento da cultura digital nas escolas. Segundo a Semed, eventual utilização de IA no ambiente escolar deverá respeitar princípios pedagógicos e éticos, além de critérios ligados à proteção de dados, segurança, equidade, inclusão e garantia dos direitos de aprendizagem. A secretaria também pretende ampliar a formação dos profissionais da educação.
Thalles Barros, professor de redação do Colégio Maria Montessori, em Maceió, considera que a proibição não representa um retrocesso. Para ele, o processo de correção é mais complexo do que aparenta à primeira vista. “Corrigir um texto não é simplesmente identificar erros de gramática ou verificar aspectos estruturais. A correção é, antes de qualquer coisa, um ato pedagógico do professor”, afirma.
Segundo Barros, o educador acompanha a evolução do aluno desde a construção das ideias até o amadurecimento da capacidade argumentativa. Esse conhecimento permite reconhecer características individuais que uma ferramenta automatizada dificilmente consegue reproduzir.
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“Dois estudantes podem cometer o mesmo erro e, ainda assim, precisar de intervenções diferentes. O repertório, as dificuldades e a trajetória de cada um interferem no processo de aprendizagem”, explica.
A restrição imposta pela regulamentação do CNE está em não permitir que a ferramenta entregue ao aluno uma resposta pronta. “Eu acho que é uma ferramenta pedagógica muito positiva, desde que o aluno não deixe a inteligência artificial pensar por ele”, afirma Thalles Barros. Para ele, atividades realizadas em sala de aula, como debates, rascunhos e produção textual acompanhada, ganham importância. O professor diz conseguir observar não apenas o resultado, mas o processo de construção do texto.
As novas orientações também restringem o uso de ferramentas automáticas destinadas a identificar textos produzidos por inteligência artificial. Esses mecanismos não devem ser utilizados isoladamente para determinar que um estudante cometeu fraude. A Semed afirmou que eventuais suspeitas devem ser analisadas pedagogicamente pelos profissionais responsáveis, levando em consideração o contexto e as evidências disponíveis. Thalles Barros também defende cautela. Para ele, o professor não pode se transformar em um fiscal em busca de possíveis fraudes.