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Pesquisa da Ufal liga queda no calor a picos de internação em Maceió

Análise de 20 anos mostra impacto das chuvas na saúde e ajuda a prever a alta no uso de leitos na capital alagoana

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Temperatura mínima é apontada como a variável de maior peso para explicar o volume de internações na capital
Temperatura mínima é apontada como a variável de maior peso para explicar o volume de internações na capital | Foto: CAU RODRIGUES/ ACERVO PESSOAL

Pesquisadores do Instituto de Ciências Atmosféricas (Icat) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) identificaram uma relação direta entre as condições atmosféricas de Maceió e o aumento das hospitalizações por doenças respiratórias na capital. Publicados em revistas científicas internacionais, os trabalhos cruzaram dados meteorológicos e registros de saúde e avaliaram a capacidade de prever picos de internações na rede pública.

A pesquisa foi desenvolvida pelos professores Fabrício Silva, Glauber Marinho, Helber Barros Gomes e Heliofábio Barros Gomes. Os dados apontam a temperatura mínima como a variável de maior peso para explicar o volume de internações na capital. "Entre as variáveis analisadas, a temperatura mínima teve um papel de destaque nos dois estudos", afirma Fabrício Silva, professor do Icat.

O pesquisador ressalta, no entanto, que os resultados indicam associação estatística e capacidade preditiva, não uma relação direta de causa e efeito.

"Uma mudança de temperatura, um período mais úmido ou mais chuvoso não significa necessariamente que uma pessoa ficará doente", explica. Segundo ele, o clima atua como fator agravante, mas deve ser analisado ao lado de elementos como circulação viral, poluição e condições socioeconômicas da população.

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Um dos artigos analisou uma série histórica de 20 anos, compreendida entre 2000 e 2019, dividindo os pacientes em três faixas etárias: crianças de 0 a 4 anos, adultos de 5 a 59 anos e idosos a partir de 60 anos. O levantamento revelou que a resposta do organismo às variações do tempo muda de acordo com a idade.

"Para a população geral e principalmente para as crianças, as internações apresentam maior ocorrência entre março e maio, período mais chuvoso de Maceió. Nos idosos, o comportamento é diferente, com máximos mais tardios, especialmente entre agosto e setembro. Isso mostra que, mesmo em uma cidade tropical, sem um inverno rigoroso, existe uma sazonalidade importante das doenças respiratórias — e ela não ocorre da mesma forma em todas as idades", detalha o professor.

A análise também identificou que os impactos na saúde não são imediatos: os sintomas e a necessidade de hospitalização podem surgir até duas semanas após a exposição às variações do tempo. Enquanto as crianças apresentam respostas mais rápidas — devido ao desenvolvimento do sistema imunológico ainda em formação —, os idosos levam mais tempo para manifestar reações, reflexo da menor adaptação fisiológica e da presença de comorbidades.

"Para uma população adaptada a um clima tropical quente e úmido, não é necessário chegar a temperaturas muito baixas para que uma variação em relação às condições habituais tenha importância", destaca Fabrício Silva.

A intenção do grupo é transformar os modelos matemáticos em ferramentas operacionais de gestão para a saúde pública. "Se conseguirmos prever determinadas condições atmosféricas com antecedência e sabemos que elas estão associadas a maior risco de internações, podemos transformar essa informação em um sistema de alerta", projeta a equipe. O grupo planeja expandir os estudos para municípios do interior, como Arapiraca, para testar a eficiência da modelagem em populações menores. A equipe também pretende aplicar a metodologia para analisar a influência do clima sobre o aumento de doenças cardiovasculares no estado.

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