ENTENDA
Pesquisa da Ufal liga queda no calor a picos de internação em Maceió
Análise de 20 anos mostra impacto das chuvas na saúde e ajuda a prever a alta no uso de leitos na capital alagoana
Pesquisadores do Instituto de Ciências Atmosféricas (Icat) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) identificaram uma relação direta entre as condições atmosféricas de Maceió e o aumento das hospitalizações por doenças respiratórias na capital. Publicados em revistas científicas internacionais, os trabalhos cruzaram dados meteorológicos e registros de saúde e avaliaram a capacidade de prever picos de internações na rede pública.
A pesquisa foi desenvolvida pelos professores Fabrício Silva, Glauber Marinho, Helber Barros Gomes e Heliofábio Barros Gomes. Os dados apontam a temperatura mínima como a variável de maior peso para explicar o volume de internações na capital. "Entre as variáveis analisadas, a temperatura mínima teve um papel de destaque nos dois estudos", afirma Fabrício Silva, professor do Icat.
O pesquisador ressalta, no entanto, que os resultados indicam associação estatística e capacidade preditiva, não uma relação direta de causa e efeito.
"Uma mudança de temperatura, um período mais úmido ou mais chuvoso não significa necessariamente que uma pessoa ficará doente", explica. Segundo ele, o clima atua como fator agravante, mas deve ser analisado ao lado de elementos como circulação viral, poluição e condições socioeconômicas da população.
Três mulheres morrem após carro cair em canal no Paraná; câmera registra acidente
Advogado é flagrado agredindo filha de 6 anos dentro de elevador
Ex-deputado que negou palanque com Bolsonaro pede perdão a Michelle
Jiboia é encontrada dentro de motor de carro em oficina de Maceió
Dietal celebra o Dia do Folclore em Alagoas
Um dos artigos analisou uma série histórica de 20 anos, compreendida entre 2000 e 2019, dividindo os pacientes em três faixas etárias: crianças de 0 a 4 anos, adultos de 5 a 59 anos e idosos a partir de 60 anos. O levantamento revelou que a resposta do organismo às variações do tempo muda de acordo com a idade.
"Para a população geral e principalmente para as crianças, as internações apresentam maior ocorrência entre março e maio, período mais chuvoso de Maceió. Nos idosos, o comportamento é diferente, com máximos mais tardios, especialmente entre agosto e setembro. Isso mostra que, mesmo em uma cidade tropical, sem um inverno rigoroso, existe uma sazonalidade importante das doenças respiratórias — e ela não ocorre da mesma forma em todas as idades", detalha o professor.
A análise também identificou que os impactos na saúde não são imediatos: os sintomas e a necessidade de hospitalização podem surgir até duas semanas após a exposição às variações do tempo. Enquanto as crianças apresentam respostas mais rápidas — devido ao desenvolvimento do sistema imunológico ainda em formação —, os idosos levam mais tempo para manifestar reações, reflexo da menor adaptação fisiológica e da presença de comorbidades.
"Para uma população adaptada a um clima tropical quente e úmido, não é necessário chegar a temperaturas muito baixas para que uma variação em relação às condições habituais tenha importância", destaca Fabrício Silva.
A intenção do grupo é transformar os modelos matemáticos em ferramentas operacionais de gestão para a saúde pública. "Se conseguirmos prever determinadas condições atmosféricas com antecedência e sabemos que elas estão associadas a maior risco de internações, podemos transformar essa informação em um sistema de alerta", projeta a equipe. O grupo planeja expandir os estudos para municípios do interior, como Arapiraca, para testar a eficiência da modelagem em populações menores. A equipe também pretende aplicar a metodologia para analisar a influência do clima sobre o aumento de doenças cardiovasculares no estado.