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DETERIORAÇÃO

Ruínas urbanas: o perigo dos imóveis abandonados que ameaçam Maceió

Defesa Civil de Maceió registrou 480 ocorrências de variados tipos nesses empreendimentos desde 2021

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Fator determinante para a atuação da Defesa Civil é a condição física da edificação
Fator determinante para a atuação da Defesa Civil é a condição física da edificação | Foto: Assessoria

Por anos, um imóvel pode permanecer fechado sem chamar muita atenção. Portas trancadas, paredes desgastadas, mato crescendo no terreno e uma fachada que vai perdendo gradativamente as marcas de quando ali havia vida. O problema muda radicalmente de dimensão quando a deterioração deixa de ser apenas uma questão de estética urbana e passa a ameaçar diretamente a integridade de quem está do lado de fora.

DESABAMENTO EXPÔS RISCO NA AVENIDA DA PAZ

Em 21 de abril de 2024, esse limite de segurança foi ultrapassado na Avenida da Paz, no bairro do Jaraguá. Parte do prédio abandonado onde funcionou o antigo Hotel Atlântico desabou, atingiu a pista e caiu sobre a fiação elétrica da via. O imóvel já havia sido avaliado pela Defesa Civil, que apontou a necessidade de demolição urgente. Após o colapso, a área precisou ser isolada às pressas e o restante da estrutura foi demolido para conter novos acidentes.

Esse caso ajuda a explicar por que imóveis abandonados entram no radar prioritário do poder público, mas também revelam uma distinção técnica importante: estar vazio não significa, por si só, estar em situação de risco iminente.

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480 IMÓVEIS FORAM VISTORIADOS DESDE 2021

A Defesa Civil de Maceió registrou 480 ocorrências de imóveis abandonados vistoriados entre 2021 e agosto de 2026. O número não corresponde ao total de imóveis desocupados existentes na capital, já que o órgão atua sob demanda e não realiza um censo geral de todas as edificações vazias da cidade. Vale ressaltar que os bairros desocupados por conta da exploração de sal-gema da Braskem não entram nessa estatística da Defesa Civil. A região dos bairros afundados passa por uma situação especial e específica, em que cerca de 14 mil residências foram desocupadas, sendo a grande maioria delas já demolida.

No levantamento geral da cidade, o histórico de vistorias em imóveis desocupados mostra flutuações anuais: foram 170 ocorrências em 2021, 85 em 2022, 56 em 2023, 65 em 2024, 66 em 2025 e 38 registros no acumulado até agosto de 2026. A redução na série anual não permite concluir que a quantidade de imóveis abandonados diminuiu, já que os dados dependem das denúncias da população.

ABANDONO PRODUZ EFEITOS SOBRE A CIDADE

A urbanista Camila Jordan explica que quando se fala em imóveis ociosos, é preciso pensar que, hoje, isso acontece especialmente em áreas centrais das cidades. “É esse abandono que gera muitos efeitos nocivos nos centros urbanos e acaba levando as pessoas cada vez para mais longe. Isso traz uma questão muito importante quando pensamos em sustentabilidade — não só ambiental, mas realmente a longo prazo. Porque quanto mais espraiadas sejam as nossas cidades, mais desconectadas e segregadas elas tendem a ser, tanto para as populações de alta renda como de baixa renda. Além disso, há um impacto na eficácia dos nossos serviços públicos: quanto maior for a cidade em termos de área ocupada, mais o poder público precisará gastar para provê-los.”

O fator determinante para a atuação da Defesa Civil é a condição física da edificação e o nível de perigo que ela representa. O professor de arquitetura e urbanismo da Universidade de Brasília (UnB) Frederico Flósculo compara a situação com a de uma pessoa doente. “Com um imóvel abandonado no meio de mil, a população sabe que aquilo está acontecendo. É como se houvesse uma pessoa evidentemente adoentada no meio de uma sala de aula: ela vai gerar preocupação. A universidade inteira ficaria preocupada com a possibilidade de uma epidemia a partir daquele caso que deve ser cuidado. Isso é ‘epidêmico’ no sentido de que o problema se manifesta e se propaga sobre a população de imóveis.”

Até junho deste ano, a Defesa Civil de Maceió solicitou a demolição preventiva de 17 imóveis em situação grave na capital. Cabe exclusivamente ao dono manter o imóvel seguro e providenciar os reparos necessários. A fiscalização administrativa fica a cargo do Instituto de Pesquisa, Planejamento e Licenciamento Urbano e Ambiental (Iplam), que monitora a conservação dos prédios, notifica os donos e aplica multas. Diante do risco iminente, o Iplam é acionado para localizar o responsável e obter a autorização de derrubada. Para emergências e vistorias de risco estrutural com a Defesa Civil, os canais são o telefone 199, além dos números (82) 3312-5890, (82) 3312-5899, 0800 030 6205 e 156. Para denúncias focadas no abandono, sujeira e falta de conservação do imóvel junto ao Iplam, o contato é pelo e-mail [email protected].

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