BURAQUEIRA
Mais de 2.000 buracos mobilizam equipes de reparos nas ruas de Maceió
Tabuleiro do Martins está no topo das reclamações; motoristas e mecânicos relatam danos frequentes
Os buracos nas vias públicas permanecem no topo das principais reclamações de quem circula por Maceió. Levantamento da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminfra) revela que, de janeiro a maio, o bairro do Tabuleiro do Martins liderou isolado o número de solicitações para reparos, registrando 600 intervenções na pista. A urgência por recuperação asfáltica também é acentuada em outras regiões da capital: logo em seguida aparecem os bairros do Poço, com 385 registros, e o Benedito Bentes, com 380. Áreas como Antares, Cidade Universitária e Prado também figuram entre as mais afetadas pela deterioração da malha urbana.
Para tentar conter o avanço do problema, ações de manutenção vêm sendo executadas, atingindo uma média de 37 bairros por mês. O balanço consolidado mais recente aponta que as equipes intensificaram os serviços ao longo de todo o mês de junho, aplicando aproximadamente 2.701 toneladas de massa asfáltica em frentes de trabalho espalhadas pelas partes alta e baixa de Maceió. Ao todo, até o dia 30 de junho, foram executadas 904 intervenções emergenciais, resultando na restauração de 311 ruas distribuídas em 34 bairros da capital.
O cronograma de obras incluiu grandes corredores de transporte e vias de intenso fluxo diário. Entre os pontos contemplados nas últimas semanas estão avenidas fundamentais como a Governador Afrânio Lages (Leste-Oeste), Menino Marcelo, Deputado José Lages, Dr. Antônio Brandão, Gustavo Paiva, Osman Loureiro (Mangabeiras) e a Rota do Mar. Também receberam serviços de recomposição asfáltica trechos da Avenida Eduardo Tadeu Lopes da Silva, Av. Cid Scala, Av. Guaxuma e vias internas dos bairros, como as ruas Santos Dumont, Antônio Holanda (Clima Bom), Nossa Senhora Aparecida (Santa Lúcia), Rua do Triunfo (Jacintinho) e São Benedito.
POPULAÇÃO
NO PREJUÍZO
No entanto, para os condutores que enfrentam a malha viária diariamente, a velocidade dos reparos não anula os frequentes transtornos e os prejuízos no orçamento. O motorista José Carlos, de 52 anos, destaca a necessidade de redobrar os cuidados ao volante para tentar escapar das armadilhas no asfalto. “Tem ruas que a gente já sabe onde estão os buracos, mas nem sempre dá para desviar. Quando o carro passa por um deles, o prejuízo aparece depois. Já precisei trocar pneu e fazer alinhamento por causa das condições da pista”, relata.
Essa realidade crônica de desgaste reflete diretamente no movimento das oficinas mecânicas da cidade. Danos estruturais severos na parte inferior dos automóveis são associados ao impacto violento com o pavimento irregular. Moisés Batista, mecânico em um estabelecimento localizado na parte alta de Maceió, atesta que o impacto com a pista deteriorada é o principal vilão dos sistemas de amortecimento e direção. “Os problemas mais frequentes que recebemos aqui são amortecedores danificados, rodas empenadas, desalinhamento da direção e desgaste prematuro dos pneus. Dependendo da velocidade e do tamanho do buraco, o prejuízo pode ser grande e comprometer a segurança do motorista”, explica Moisés Batista.
Apesar do esforço contínuo para melhorar as condições de trafegabilidade e segurança, moradores e motoristas argumentam que as soluções paliativas perdem a eficácia rapidamente, sobretudo em períodos chuvosos, defendendo que diversas avenidas necessitam de recapeamento total.
Para agilizar o mapeamento dos novos pontos de desgaste, a Seminfra reforça que a população pode solicitar os serviços de recuperação viária por meio da Central de Atendimento 156. As ligações são gratuitas e funcionam em dias úteis, das 8h às 14h, servindo de base para o planejamento das vistorias técnicas e das frentes de pavimentação.