NEYMAR DO VERGEL
De Romário a Neymar, os craques que dão nomes aos alagoanos
Censo do IBGE revela como as conquistas da Seleção e os ídolos do futebol moldam as certidões de nascimento no Estado
Erlisson Neymar de Oliveira Flores, de 3 anos, não vai precisar perguntar ao pai a razão de ter recebido esse nome. Filho do “Neymar do Vergel”, de Maceió, ele faz parte de um contingente de 20 alagoanos que se chamam Neymar. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Erlisson Henrique, o pai, não teve dúvidas sobre que nome colocar no filho quando soube da gravidez. A esposa temia que o filho fosse alvo de bullying, mas não pôde decidir. Erlisson Henrique foi ao cartório da maternidade e, sem titubear, ditou o nome do filho. Primeiro, o nome dele. Logo em seguida, o do ídolo. Estava feito. Ele conta que o título que ostenta não foi por autoimposição, foram os amigos é que lhe deram o apelido, dada a habilidade com a bola. Erlisson gostou e potencializou o personagem.
No dia em que o pequeno Erlisson Neymar nasceu, 5 de outubro de 2022, Neymar Júnior estava em campo pelo Paris Saint-Germain em partida válida pela Liga dos Campeões contra o Benfica. Foi do brasileiro o passe para Lionel Messi marcar o gol da equipe francesa. A dobradinha dos campos também seria possível nos torrões alagoanos. Por aqui, são 23 meninos que se chamam Lionel. Eles têm idade média de 7 anos. Já os que se chamam Neymar têm idade média de 9 anos. Mais novos ainda são os 15 Endrick registrados em Alagoas e com idade média de 4.
Mas se engana quem pensa que as homenagens aos craques dos gramados são coisa nova. Pelo contrário, é tão antiga quanto uma conquista de Copa pelo Brasil. Que o digam os 630 Romários de Alagoas. Com idade média de 28 anos eles trazem à memória o tetracampeonato do Brasil em 1994. Da seleção tetracampeã também fez parte Raí, que dá nome a 576 alagoanos, com idade média de 16 anos.
Da torcida para os campos, Alagoas só teve até agora três de seus filhos que vestiram a camisa da seleção brasileira em Copas do Mundo. O mais notável deles, Mário Jorge Lobo Zagallo. O único homem do planeta a conquistar quatro títulos em Copas do Mundo de Futebol: bicampeão como jogador (Suécia 1958 e Chile 1962), campeão como técnico (México 1970) e campeão como coordenador técnico (Estados Unidos 1994). O ‘Velho Lobo’ empresta seu sobrenome a outros 17 alagoanos. Além dele, vestiram a camisa do Brasil Edvaldo Alves Santa Rosa, em 1958, e Roberto Firmino, em 2018.
Ainda pequeno, mas já com nome de craque, Erlisson Neymar é presença constante nas quadras e arenas da capital alagoana. Além de assistir ao pai, ensaia os primeiros chutes e alimenta o sonho do “Neymar do Vergel” de ter um craque em casa. Quem sabe na Copa de 2038 ou 2042.