AVISTAMENTOS
O mistério de 1957: o que se sabe sobre o óvni que parou o Centro de Maceió
No mês em que os EUA divulgam arquivos antes confidenciais, testemunhas relembram caso em Alagoas
Era novembro de 1957 quando um suposto objeto voador não identificado (óvni) chamou a atenção de dezenas de pessoas no céu de Maceió. O avistamento, registrado em reportagens publicadas pela Gazeta de Alagoas, foi descrito por testemunhas como uma estrutura luminosa e de movimentação incomum e rapidamente passou a alimentar debates entre moradores da capital alagoana. Em plena década de 1950, período marcado pelo auge das histórias sobre discos voadores em diversas partes do mundo, o episódio tornou-se um dos relatos mais intrigantes da ufologia local, permanecendo vivo no imaginário popular mesmo após quase 70 anos.
Décadas depois, o tema volta a ganhar força diante da recente retirada de sigilo de documentos relacionados a óvnis pelo governo dos Estados Unidos. Entre os materiais divulgados estão vídeos, relatórios militares e registros de fenômenos aéreos não identificados revelados pelo Pentágono, reacendendo discussões sobre casos históricos registrados em diferentes partes do mundo, incluindo Alagoas.
A reportagem conversou com uma testemunha do avistamento de 1957. Uma mulher que estava em um ponto do bairro do Farol no dia do fato e que dá como certa a passagem de um disco voador por aqui, assim como inúmeras testemunhas fizeram no dia do acontecimento, conforme noticiado em edições da Gazeta de Alagoas à época.
Dona Rosa Calheiros tinha 17 anos em 8 de novembro de 1957. Hoje, com 85 anos, ela lembra com clareza daquela tarde. Tinha assistido a uma palestra com um grupo de amigos e, ao sair, parou com eles no mirante que fica próximo ao Colégio Sacramento. Ao olharem em direção à Catedral Metropolitana, no Centro de Maceió, avistaram um objeto estranho suspenso no ar.
“Gritamos: é um disco voador! Viva, viva! Estava muito alto, parado no ar, tinha um formato de meia-lua e era de uma cor entre cobre e prata, que refletia a luz do sol. Depois de um tempo, ele desceu um pouco e, em seguida, subiu em direção ao mar, desaparecendo”, afirma dona Rosa.
Ela define o episódio como “lindo” e conta que, ao longo de toda a vida, jamais viu algo parecido sobrevoando os céus de Maceió novamente.
“Foi lindo e todos ficamos encantados. Achamos que éramos privilegiados por ter presenciado aquilo. Nunca mais vi nada parecido e, olhe, que estou sempre procurando por ele no céu”, conta dona Rosa.
O avistamento durou cerca de cinco minutos e pôde ser visto mais claramente por todos que estavam nas imediações da Praça Dom Pedro II, no Centro da capital alagoana. Entre essas testemunhas estavam funcionários do Tribunal de Justiça, como os desembargadores Xisto Gomes de Melo e Lavenère Machado, citados em matérias publicadas na Gazeta de Alagoas.
“Sem fazer o menor ruído, a misteriosa meia-lua cruzava em direção ao Pontal da Barra, ante o olhar estupefato da pequena multidão que se aglomerara em frente ao prédio onde funciona a Empresa Penedense de Transporte”, registrou a Gazeta de Alagoas à época.
Um funcionário dessa empresa de transporte, identificado apenas como Fausto, inclusive, deu uma declaração sobre o avistamento. “Sei perfeitamente que minhas declarações serão glosadas pelos céticos, porém disso não me arreceio, pois todos quantos me conhecem sabem que sempre falo a verdade. Vi o objeto. A princípio, quando chamado pelo sr. Cícero Gomes de Oliveira, julguei tratar-se de uma brincadeira. Logo, porém, essa opinião se desfez ao divisar nitidamente, entre os prédios onde funcionam a Assembleia e o antigo Palácio, um objeto metálico com forma de meia-lua que brilhava intensamente ao sol. Desenvolvia ele grande velocidade, velocidade essa que jamais nenhum avião conseguirá ultrapassar. Por cerca de três ou quatro minutos permaneci imóvel, olhando o misterioso aparelho, até que ele desapareceu por completo no espaço”, relatou.
O juiz Claudemiro Avelino, curador do Museu do Tribunal de Justiça de Alagoas, conta que o fato entrou para a história e que é de conhecimento de quem trabalha na corte até hoje.
“Os desembargadores e servidores do TJ viram esse objeto estranho próximo à catedral. Ele era diferente, inusitado e se movimentava no céu de Maceió. Era dia, e ele brilhava com o reflexo do sol. Saiu do Centro em direção ao Pontal e depois desapareceu. Um dos desembargadores que avistou o objeto chegou a dizer que não acreditava, mas, depois de ver, passou a acreditar que alguma coisa surreal existe além da Terra”, conta.
OUTRO REGISTRO NA DÉCADA DE 1950
Em 23 de março de 1950, a Gazeta já havia publicado a notícia de que um “disco voador” teria sido avistado no município de Junqueiro, no Agreste do estado. Era domingo, por volta das 15h, quando o objeto teria sobrevoado a cidade.
Segundo os relatos da época, o disco era luminoso, passava silenciosamente e em baixa velocidade. “Numa altura de 800 metros, o disco foi pouco a pouco desaparecendo”, registrou a Gazeta de Alagoas.
Mas os avistamentos registrados na década de 1950 em Alagoas não são casos isolados. O aparecimento de objetos não identificados continua ocorrendo no estado e sendo monitorado pelo Centro de Estudos Ufológicos. O episódio mais recente data de 2023, em Maceió.
Entre os pontos com maior incidência de avistamentos em Alagoas estão os municípios de Santa Luzia do Norte, na área portuária; Flexeiras, na zona rural; União dos Palmares, na Serra da Barriga; Marechal Deodoro, na orla lagunar; Delmiro Gouveia, na região dos cânions; e Santana do Ipanema.
Entre os tipos de ocorrência, luzes em movimento não convencional lideram, com 45% dos casos, seguidas por objetos metálicos silenciosos, com 30%. Há também registros de interferências eletromagnéticas em celulares e rádios (15%) e supostos contatos visuais com entidades (10%).