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TECNOLOGIA E SAÚDE

Cirurgias robóticas completam três anos em Alagoas com quase mil procedimentos

Entre os ganhos da modalidade estão a recuperação mais rápida do paciente, menos sangramentos e dores

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Média atual é de cerca de 35 cirurgias por mês realizadas na Santa Casa de Misericórdia de Maceió
Média atual é de cerca de 35 cirurgias por mês realizadas na Santa Casa de Misericórdia de Maceió -
Média atual é de cerca de 35 cirurgias por mês realizadas na Santa Casa de Misericórdia de Maceió
Média atual é de cerca de 35 cirurgias por mês realizadas na Santa Casa de Misericórdia de Maceió | Foto: — Foto: Assessoria

A tecnologia tem se consolidado como aliada direta na preservação de vidas e na recuperação de pacientes. Em Alagoas, esse avanço ganha forma no Programa de Cirurgia Robótica da Santa Casa de Misericórdia de Maceió — único modelo do tipo no estado — que, em pouco mais de três anos, já realizou perto de mil procedimentos em diferentes especialidades médicas.

Em entrevista à Gazeta, o médico urologista Gustavo Mendonça, coordenador do serviço, afirma que a média atual é de cerca de 35 cirurgias por mês, volume que posiciona a instituição entre as referências em cirurgia robótica no Nordeste.

Nos próximos anos, a tendência é de ampliação do uso da tecnologia, com a inclusão de procedimentos reconstrutivos, cirurgias digestivas avançadas, hérnias complexas, novos tratamentos oncológicos e outras áreas em que a precisão robótica pode contribuir para melhores desfechos clínicos. “A tecnologia permite constante evolução, sempre associada ao treinamento das equipes e à incorporação responsável de novas indicações”, afirma o médico.

Entre os procedimentos mais realizados estão cirurgias urológicas, como as de próstata e rim; cirurgias gerais, incluindo correção de hérnias e bariátrica; cirurgias oncológicas, como tratamento de tumores intestinais; procedimentos ginecológicos, como histerectomia e tratamento da endometriose; além de cirurgias torácicas, voltadas ao tratamento de tumores do tórax.

Esse cenário demonstra a ampla aplicabilidade da cirurgia robótica e o crescimento contínuo do programa. “A cirurgia robótica representa uma evolução da cirurgia minimamente invasiva. Entre os principais benefícios estão a visão tridimensional em alta definição, maior precisão dos movimentos, filtro de tremor natural das mãos, melhor ergonomia para o cirurgião e possibilidade de realização de procedimentos complexos por pequenas incisões”, destaca Gustavo Mendonça.

De acordo com o coordenador, os ganhos para o paciente são diretos: menor sangramento, menos dor no pós-operatório, recuperação mais rápida, menor tempo de internação e retorno mais precoce às atividades habituais. “Como qualquer procedimento cirúrgico, existem riscos, como complicações anestésicas, sangramento, infecção ou intercorrências inerentes à cirurgia. Porém, quando bem indicada e realizada por equipe treinada, trata-se de uma tecnologia segura e consolidada”, explica.

A cirurgia robótica — hoje concentrada na Santa Casa de Maceió — ainda envolve custos superiores aos das técnicas convencionais, principalmente pelo investimento em tecnologia, manutenção da plataforma e uso de instrumentais especializados. Atualmente, o acesso ocorre, em sua maioria, por meio da rede privada e de convênios.

No sistema público, a tecnologia ainda não está amplamente disponível na instituição. No entanto, há expectativa de avanço, especialmente após discussões recentes da Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde) sobre a possível incorporação da prostatectomia robótica no Sistema Único de Saúde. A Santa Casa busca habilitações futuras para ampliar esse acesso.

A unidade conta com equipe habilitada para operar a plataforma da Vinci Surgical System, considerada uma das mais consolidadas do mundo. “Em pouco mais de três anos de programa, já ultrapassamos a marca de 900 cirurgias realizadas, reforçando o crescimento e a maturidade do serviço”, afirma Mendonça. A tendência, segundo o especialista, é de expansão contínua.

Para quem passa pelo procedimento, a tecnologia representa mais do que inovação. É o caso do professor Max Hamers Chaves de Aragão Lisboa, de 64 anos, que descobriu um câncer de próstata em março de 2023, após exames, incluindo o PSA (Antígeno Prostático Específico).

“Falando com o Dr. Gustavo, ele me aconselhou fazer a cirurgia robótica e assim eu fiz em junho de 2023. Foi uma cirurgia excelente. Não senti dor nenhuma, foi tudo bem na cirurgia. Ele também me indicou porque a cirurgia não deixa sequelas. Então foi uma experiência muito boa e sigo com o acompanhamento com ele”, relata.

Após o procedimento, o professor realizou 20 sessões de radioterapia e seguirá em acompanhamento por cinco anos. Hoje, está curado. “A minha família ficou com medo, minha filha, meu filho e minha esposa. Mas eu sempre dizendo a eles que eu ia ficar bem, que ia dar tudo certo. E deu tudo certo, está dando tudo certo, graças a Deus”, comemora.

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