DOENÇA
Alagoas tem a maior incidência de meningite do NE e a 2ª do Brasil
Em Maceió, a prefeitura realizou, neste mês de fevereiro, o bloqueio vacinal para imunizar moradores de oito bairros
Alagoas registrou a maior incidência de meningite no Nordeste e a segunda maior do Brasil, ficando atrás apenas do Pará. Os dados são do Ministério da Saúde e acendem um alerta para a situação da vacinação no estado.
Enquanto no Brasil a taxa de letalidade da meningite meningocócica foi de 25,6% em 2023, em Alagoas esse índice chegou a 60% no mesmo período.
Em Maceió, a prefeitura realizou, neste mês de fevereiro, o bloqueio vacinal para imunizar moradores de 544 ruas específicas em oito bairros da capital. A medida foi adotada para conter a transmissão da doença depois que três pessoas foram diagnosticadas com meningite bacteriana do tipo C em menos de 90 dias, nos bairros Benedito Bentes e Serraria.
Segundo o infectologista Renée Oliveira, a vacinação é a principal estratégia para reduzir casos e mortes. “Nós temos o meningococo tipo A, B, C, W e Y. No nosso caso, no SUS, nós temos uma vacina extremamente eficaz, exceto para o meningococo B. A nossa preocupação maior realmente é com o meningococo B”, afirmou.
O especialista destacou que, mesmo com a existência da vacina contra o tipo C, os casos não podem ser negligenciados. “Não podemos deixar de valorizar os casos quando aparece o meningococo do tipo C”, disse. Ainda de acordo com o infectologista, a proteção coletiva depende da ampliação da cobertura vacinal.
“Nós temos uma vacina muito boa para o meningococo do tipo C, mas precisa de uma cobertura vacinal muito maior, uma cobertura de 95% para promover o que nós chamamos de efeito de rebanho”, explicou.
A meningite pode ter origem bacteriana, viral, fúngica ou parasitária. O infectologista Fernando Maia explica que as virais podem evoluir de maneira benigna, mas as bacterianas, como as do tipo C e B, são mais graves, oferecendo riscos de complicações e óbito, principalmente se não forem tratadas precocemente.