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A CAPITAL QUE NÃO DORME

Maceió lidera ranking nacional de insônia, aponta Ministério da Saúde

38% dos adultos dormem mal e quase 28% relatam menos de seis horas de sono por noite

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Imagem ilustrativa da imagem Maceió lidera ranking nacional de insônia, aponta Ministério da Saúde
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Imagem ilustrativa da imagem Maceió lidera ranking nacional de insônia, aponta Ministério da Saúde
| Foto: Central Gazeta de Notícias

Dormir mal deixou de ser exceção e passou a integrar a rotina de parte expressiva da população de Maceió. Dados do Vigitel, levantamento do Ministério da Saúde que monitora fatores de risco à saúde da população adulta, colocam a capital alagoana no topo de dois indicadores: maior proporção de adultos com sintomas de insônia e maior percentual de pessoas que dormem menos de seis horas por noite entre as capitais brasileiras. Nos dois recortes, as mulheres apresentam os índices mais elevados.

Segundo a pesquisa, 38% dos adultos da cidade relataram sintomas de insônia, como dificuldade para iniciar o sono, despertares noturnos ou acordar antes do horário desejado. Entre as mulheres, o percentual chega a 45,6%. Quando o assunto é sono de curta duração, quase um quarto da população adulta dorme menos de seis horas por noite, proporção que sobe para 27,9% entre elas.

Aos 31 anos, a servidora pública Maria Clara convive com a insônia desde a adolescência. Dormir entre quatro e seis horas por noite sempre fez parte da rotina e, por muito tempo, ela não associou o hábito a um problema de saúde.

“Eu sempre tive olheiras e me incomodava com a parte estética, mas não imaginava o impacto que isso tinha na minha saúde. Já estava muito habituada ao cansaço”, relata. Com o passar dos anos, a privação de sono passou a afetar o humor e a disposição, sobretudo em períodos de alterações hormonais.

Após buscar acompanhamento especializado, ela iniciou tratamento e adotou medidas de higiene do sono, como controle da iluminação e redução do uso do celular à noite. Atualmente, consegue dormir cerca de oito horas por noite.

“Mesmo sem atingir o ideal, a constância de dormir melhor mudou completamente meu rendimento para trabalhar, treinar e até ter disposição de viver”, afirma. Ela diz que também aprendeu que uma ou duas noites bem dormidas não compensam longos períodos de privação. “O corpo precisa de vários dias para se recuperar”.

A estudante de engenharia civil Mariana, 29, também dorme menos do que o recomendado, mas por outro motivo. No caso dela, o sono reduzido está ligado à rotina. Entre estágio, faculdade e atividades físicas, o descanso varia entre cinco e sete horas por noite.

“Não tenho dificuldade para dormir. O sono é reparador. O problema é que ele é curto”, explica. Ela acorda por volta das quatro da manhã para caminhar, segue para o estágio, frequenta aulas à tarde e pratica artes marciais à noite. Dorme entre 22h e 23h.

“O sono curto me deixa sonolenta antes da caminhada e, às vezes, me dá dor de cabeça à noite”, conta. Apesar dos sintomas, ela nunca procurou ajuda profissional.

Consultas de rotina devem dar mais atenção ao sono, analisa a médica Amanda Bastos Lira, especialista na área
Consultas de rotina devem dar mais atenção ao sono, analisa a médica Amanda Bastos Lira, especialista na área | Foto: Arquivo pessoal

Para a médica do sono Amanda Bastos Lira, os dados indicam a necessidade de maior atenção ao tema nos atendimentos de rotina. “Os distúrbios do sono exercem impacto importante na saúde do corpo e da mente”, afirma. Segundo ela, perguntas simples durante a consulta ajudam a identificar alterações precocemente, como dificuldade para iniciar ou manter o sono, despertares frequentes, ronco, sensação de falta de ar durante a noite e cansaço ao acordar.

A especialista avalia que características locais também influenciam os resultados. Ela aponta a exposição à luz artificial no período noturno e o aumento de atividades sociais e uso de telas após o pôr do sol como fatores que interferem no ritmo biológico.

No recorte por gênero, as mulheres aparecem em situação mais vulnerável. A médica relaciona o resultado à sobrecarga de funções, incluindo trabalho e tarefas domésticas, além de fatores hormonais. Ela cita a menopausa como período em que alterações do sono tendem a se intensificar.

Dormir menos de seis horas por noite já representa risco à saúde, segundo a especialista. Para adultos, a recomendação geral é entre sete e nove horas de sono, além de boa qualidade, com ciclos completos ao longo da noite. Ela ressalta que existem variações individuais, mas a privação frequente pode afetar diferentes sistemas do organismo.

“O sono é um mecanismo fisiológico de reparação orgânica. Quando isso não ocorre de forma adequada, diversos sistemas podem ter o funcionamento prejudicado”, afirma.

A médica explica que a insônia se caracteriza por dificuldade para iniciar ou manter o sono ou pela percepção de sono não reparador, associada a consequências durante o dia, como sonolência, cansaço, alterações de atenção, memória e humor. Quando esses sintomas persistem por mais de três meses, é indicado procurar avaliação especializada.

Ela também observa diferenças na forma como homens e mulheres manifestam queixas. Mulheres relatam com mais frequência sono fragmentado e cansaço diurno, enquanto homens costumam mencionar dificuldade para iniciar o sono e sonolência ao longo do dia.

Enquanto isso, para parte da população, o cansaço segue tratado como algo habitual. Os dados indicam que a privação de sono deixou de ser uma situação isolada e passou a refletir um padrão coletivo na capital alagoana.

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