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ADAPTAÇÃO

Após um ano, lei que restringe celular em salas de aula muda rotina escolar

Colégios relatam menos conflitos e mais foco; Estado investe em tecnologia para substituir uso recreativo

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Isabelle Albuquerque (centro): “conversas com amigas só no intervalo”
Isabelle Albuquerque (centro): “conversas com amigas só no intervalo” -
Isabelle Albuquerque (centro): “conversas com amigas só no intervalo”
Isabelle Albuquerque (centro): “conversas com amigas só no intervalo” | Foto: Foto: Assessoria

Passado um ano da entrada em vigor da Lei nº 15.100/2025, que restringe o uso de celulares em sala de aula, as redes pública e privada de Alagoas observam mudanças estruturais no comportamento e no rendimento escolar. A norma proíbe o uso de aparelhos para fins recreativos, abrindo exceções apenas para atividades pedagógicas, acessibilidade ou condições de saúde.

No Colégio Maria Montessori, em Maceió, a direção avalia o cenário como positivo. Segundo o diretor-adjunto Herik Silva, a ausência dos dispositivos favoreceu a concentração e reduziu conflitos originados nas redes sociais. “O rendimento acadêmico subiu porque a fragmentação da atenção diminuiu. Sem notificações constantes, os alunos atingem o estado de foco com mais facilidade”, explica. Além do ganho cognitivo, a escola notou um resgate da interação social. Para ocupar os intervalos, a instituição investiu em jogos de tabuleiro, karaokê, futmesa e grupos de leitura. “Eles passaram a olhar nos olhos e a administrar o próprio tempo. O ambiente é o segundo professor”, afirma Silva. A aluna Isabelle Albuquerque, do 8º ano, ratifica a percepção: “No intervalo, converso mais com minhas amigas e jogo vôlei. O espaço ficou melhor para a convivência”, conta.

O DESAFIO DA DEPENDÊNCIA DIGITAL

A professora de Redação e Literatura Erenilda Ferro, que atua em ambos os setores de ensino, pontua que a lei trouxe maior controle sobre a produtividade, mas revela que a implementação ainda enfrenta barreiras. “Tivemos uma progressão interessante, mas ainda há resistência. Alguns alunos demonstram sinais de abstinência e falta, muitas vezes, o apoio das famílias, que justificam o uso indevido com ligações constantes”, relata. Como estratégia, muitas unidades adotaram o recolhimento dos aparelhos no início do período letivo. Para a docente, a “educação digital” precisa ser uma via de mão dupla entre escola e casa, para evitar que o esforço pedagógico seja isolado.

ESTADO INVESTE EM TECNOLOGIA GUIADA

A Secretaria de Estado da Educação (Seduc) classifica o desfecho do primeiro ano da lei como positivo, apesar da resistência natural de uma geração hiperconectada. Na rede estadual, a proibição estende-se aos recreios e intervalos, sendo o cumprimento monitorado por equipes de psicólogos e assistentes sociais do programa Coração de Estudante. Em nota, a pasta ressalta que a restrição não significa tecnofobia. Enquanto limita o uso recreativo, o Estado fomenta o uso pedagógico da tecnologia. Em outubro, o Governo de Alagoas lançou o programa Alagoas Conectada, investimento de R$ 100 milhões que garante internet de alta velocidade em 100% das escolas estaduais e a distribuição de 33 mil Chromebooks.

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