TRATAMENTO HUMANIZADO
Música ajuda paciente com suspeita de Alzheimer a resgatar memórias
Idoso cantou clássicos cristãos em leito de unidade de saúde após ação de técnico de enfermagem


Um simples momento de música despertou emoção no Hospital da Cidade, em Maceió. O protagonista foi o paciente Antônio Caldeira Soares, de 71 anos. Natural de Pão de Açúcar, ele está internado desde o dia 4 de fevereiro com suspeita de Alzheimer.
Conhecido por interpretar canções do ídolo Jerry Adriani, Antônio sempre manteve a música como parte essencial da vida. Durante o período de internação, tem falado com frequência sobre sua trajetória artística e chegou a cantar algumas músicas para os colegas de leito.
Sensibilizada pela história do paciente, a equipe de assistência do hospital convidou Cristiano, técnico de enfermagem que realiza voluntariamente apresentações musicais pelos corredores da unidade, para um encontro especial no quarto. A apresentação trouxe à tona lembranças e emoções profundas. Antônio cantou músicas cristãs e, durante alguns minutos, o ambiente hospitalar se encheu de sons, aplausos e abraços.

Para Wilma Soares, filha do paciente, a cantoria ficará guardada para sempre na memória e no coração. “Ele é um cantor. Ele deixou de cantar no ‘mundão’ e passou a se dedicar mais à igreja, mas nunca deixou de cantar. Trazer esse momento é trazer a vida dele de volta. A vida dele todinha se resume em música”, disse, emocionada.
O momento foi igualmente especial para a gestão da unidade de saúde. “Para nós, cada experiência como essa reforça a missão de humanizar o atendimento. A música tem o poder de transformar o ambiente, aproximar pessoas e tornar o cuidado mais completo. Ver o sorriso do sr. Antônio e a emoção de todos ao redor mostra que estamos no caminho certo”, destacou a médica Célia Fernandes, diretora-geral do hospital.
Camila Porciuncula, diretora-presidente do Maceió Saúde, organização que administra a unidade, ressaltou a importância de integrar cuidado e acolhimento à rotina. “Nosso objetivo é que cada paciente se sinta valorizado e acolhido. Momentos como esse lembram que qualidade assistencial não se limita à tecnologia ou à medicina, mas também à humanização e à atenção ao indivíduo. É uma experiência que enriquece pacientes, familiares e toda a equipe”, complementou.
